
A feira em Melbourne funciona como uma vitrine fundamental para o agronegócio brasileiro
Gilberto Marques/Secretaria da Agricultura do Estado de SP
O setor de cafés especiais do Brasil deve movimentar US$ 17,520 milhões em negócios internacionais após a participação na Melbourne International Coffee Expo (MICE 2026), na Austrália. O resultado é fruto da atuação de oito empresas brasileiras que integraram o projeto “Brazil. The Coffee Nation”, realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a ApexBrasil, entre os dias 26 e 28 de março.
Durante o evento, os empresários realizaram 280 contatos comerciais e fecharam US$ 1,170 milhão em vendas imediatas. A projeção de US$ 16,350 milhões adicionais refere-se a contratos que devem ser concretizados ao longo do próximo ano, consolidando o avanço do grão brasileiro no mercado da Oceania.
Conexão estratégica com o mercado asiático
Segundo o diretor executivo da BSCA, Vinicius Estrela, a feira em Melbourne funciona como uma vitrine fundamental para o agronegócio nacional. O evento não atrai apenas compradores australianos, mas também investidores da Nova Zelândia e de países do Sudeste Asiático, como Indonésia e Filipinas.
“A presença na MICE 2026 contribuiu para a aproximação com importadores e parceiros locais, além de abrir novas frentes de atuação”, explica Estrela. Ele ressalta que o interesse dos compradores estrangeiros em visitar as fazendas no Brasil e a busca por cafés com alta pontuação — aqueles avaliados acima de 80 pontos por especialistas — mostram o potencial de diversificação da oferta brasileira.
O mercado da Austrália é reconhecido mundialmente pela exigência técnica. O país possui baristas de elite, frequentemente premiados em competições globais, o que eleva o padrão de qualidade exigido dos fornecedores. Para Estrela, essa cultura do café qualificado torna a Austrália um parceiro estratégico para os produtores brasileiros que investem em sustentabilidade e sabor.
O projeto Brazil. The Coffee Nation
As ações de promoção internacional fazem parte do projeto "Brazil. The Coffee Nation", que tem vigência até agosto de 2027. A iniciativa foca na visibilidade e na rastreabilidade do café, garantindo que o comprador internacional conheça a origem exata do grão e o compromisso do produtor com normas sociais e ambientais.
Entre as metas atuais do programa estão:
- Ampliação da participação das variedades arábica e canéfora (conilon e robusta) de alta qualidade;
- Incentivo aos cafés produzidos por mulheres, visando a equidade de gênero no campo;
- Promoção de certificações de sustentabilidade e qualificação técnica.
O projeto tem como alvos principais mercados como Estados Unidos, China, Emirados Árabes e Japão. No caso dos cafés torrados e moídos, o foco de expansão comercial está concentrado no Canadá, Chile e Estados Unidos, além do mercado chinês.
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