
China retoma importações de produtos avícolas brasileiros
Divulgação/CNA
O surto de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) identificada em uma granja no Rio Grande do Sul, em maio, provocou a suspensão do comércio de produtos avícolas com a China, tradicionalmente, o país que mais compra carne de frango do Brasil. Nesta semana, a administração geral de alfândega do país informou que os chineses voltarão a importar o produto do país.
O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo, responsável por cerca de 35% do mercado global e, em 2024, obteve uma receita de US$ 10 bilhões com as vendas externas do setor. O surto registrado em uma granja na cidade de Montenegro (RS) estabeleceu a suspensão das importações para cerca de 34 países. Aos poucos, os embargos foram suspensos, já que desde o dia 18 de junho, após a conclusão dos procedimentos de desinfecção da propriedade e de todas as ações sanitárias exigidas, o Brasil mantém o status de país livre de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP). A China, porém, ainda não havia suspendido o embargo. Agora, apenas o Canadá ainda mantém a restrição à carne de frango do Brasil.
A proibição foi revogada com efeito imediato “com base nos resultados da análise de risco”, informou a agência alfandegária chinesa no comunicado, divulgado na sexta-feira (7), mas datado de 31 de outubro. Em nota, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) confirmaram a retomada das exportações do setor para a China.
Até maio, mês da ocorrência de IAAP, a China era a maior importadora de carne de frango do Brasil. Apenas entre janeiro e maio, o país havia importado 228,2 mil toneladas de carne de frango (10,4% do total exportado pelo Brasil até então), gerando receita de US$ 545,8 milhões.
Exportações de carne de frango
Em outubro, as exportações brasileiras de carne de frango do Brasil registraram o segundo melhor resultado mensal da história do setor, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Ao todo, foram exportadas 501,3 mil toneladas de carne no mês, saldo que superou em 8,2% o volume embarcado no mesmo período do ano passado, com 463,5 mil toneladas. Com isso, as exportações no ano chegaram a 4,378 milhões de toneladas, saldo apenas 0,1% menor em relação ao total registrado no mesmo período do ano passado, com 4,380 milhões de toneladas.
“O desempenho de outubro é o maior desde março de 2023, quando registramos o recorde mensal do setor. Com os expressivos embarques do mês, praticamente zeramos a diferença entre os volumes embarcados neste ano e no ano passado, revisando as projeções para um provável crescimento em toneladas embarcadas para os doze meses de 2025”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
A receita das exportações de outubro chegaram a US$ 865,4 milhões, volume 4,3% menor em relação ao décimo mês de 2024, com US$ 904,4 milhões. No ano (janeiro a outubro), o total chega a US$ 8,031 bilhões, resultado 1,8% menor em relação ao ano anterior, com US$ 8,177 bilhões.
Principal destino das exportações de carne de frango, a África do Sul importou 53,7 mil toneladas em outubro, saldo 126,9% maior em relação ao ano anterior. Em seguida estão Emirados Árabes Unidos, com 40,9 mil toneladas (+32%), Arábia Saudita, com 36,63 mil toneladas (+66,1%), Filipinas, com 34 mil toneladas (+38,2%) e Japão, com 29,7 mil toneladas (-25,5%). “A retomada da China deverá ser um novo fator a influenciar significativamente e de forma positiva o resultado na reta final deste ano para o setor”, ressalta Santin.
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