Uma pesquisa conduzida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) está desenvolvendo um novo produto alimentar, rico em proteína, utilizando grilos da espécie assimilis, bastante comum no Brasil. A proposta dos pesquisadores é criar uma farinha inovadora, diferente das que já existem em outros países, tendo como ingrediente principal o inseto.
O estudo destaca que o consumo de grilos ainda causa estranhamento, mas reforça os benefícios nutricionais do alimento. De acordo com a pesquisa, os grilos são ricos em proteínas, lipídios e fibras. A iniciativa busca aproveitar essas propriedades e transformar o inseto em uma farinha para múltiplas aplicações na alimentação.
Segundo os pesquisadores da Unicamp, eles já conseguiram extrair tanto as proteínas quanto o material lipídico, e o material fibroso proteico. Eles explicam que este processo agrega valor ao produto final e amplia as possibilidades de uso.
O desenvolvimento do ingrediente levou oito anos de pesquisas até chegar à fórmula atual. A equipe destaca que é possível utilizar a farinha de grilo como suplemento alimentar, em pães, em refeições ou até mesmo em bebidas. "Conseguimos pensar em múltiplas aplicações, como a proteção de compostos de interesse para aplicação em outros produtos, para aplicação em outras formulações, como produtos de panificação ou como bebidas, por exemplo", afirmam os pesquisadores.
No entanto, o estudo esbarra em desafios regulatórios para a produção em escala comercial. Segundo os cordenadores do projeto, ainda não existe no Brasil uma legislação específica para o consumo de alimentos feitos com insetos para a alimentação humana. "O extraído da farinha de grilo pode ser uma alternativa aos que já são utilizados atualmente", ressalta o grupo, que aguarda avanços nas normas para viabilizar o lançamento do produto no mercado.
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