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Conflitos geopolíticos dobram custo de fertilizantes

Alta no preço de insumos importados, diesel e energia elétrica força produtores do interior paulista a reduzirem a área plantada para mitigar prejuízos

Da redação
DA REDAÇÃO

27/05/2026 • 09:22 • Atualizado em 27/05/2026 • 09:22

Os conflitos geopolíticos globais provocam um forte impacto na cadeia de suprimentos do agronegócio brasileiro, resultando na alta expressiva dos preços de insumos essenciais, como fertilizantes, óleo diesel e energia elétrica. Essa pressão inflacionária aperta severamente as margens financeiras dos produtores de batata no interior do estado de São Paulo, que enfrentam dificuldades para manter a rentabilidade da atividade diante do encarecimento generalizado dos custos de produção.

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Na região de São João da Boa Vista, no interior paulista, o cenário exige cautela e reorganização financeira por parte dos agricultores.

A dependência de componentes importados deixa o setor vulnerável às oscilações do mercado internacional, onde as barreiras logísticas e as restrições de exportação em zonas de conflito diminuem a oferta de matérias-primas e elevam as cotações das principais commodities químicas utilizadas na agricultura de escala.

Explosão nos preços de insumos importados e energia

Os gastos com fertilizantes importados de regiões afetadas diretamente por guerras praticamente dobram no período recente. De acordo com os registros de custos dos produtores locais, o preço do nitrogênio apresenta uma alta de até 100%, enquanto os valores do fósforo e do potássio registram um salto de cerca de 60% em um intervalo de apenas dois meses.

No balanço de campo, o produtor Ricardo, que conduz a atividade agrícola há mais de 30 anos em São João da Boa Vista, exemplifica o tamanho do impacto financeiro: na safra passada, o investimento em fertilizantes para cobrir uma área de 200 hectares somou R$ 1,2 milhão; para o ciclo atual, a projeção de gastos atinge o patamar de R$ 2,4 milhões para a mesma extensão de terra.

Além dos adubos, os componentes energéticos também pesam no orçamento das propriedades rurais. O gasto com óleo diesel sobe pelo menos 40%. Como a cultura da batata opera sob um modelo altamente tecnificado — que envolve processos mecânicos intensivos como gradagem, aração do solo e plantio automatizado —, os produtores não encontram margem técnica para reduzir o consumo do combustível por hectare sem comprometer a eficiência da operação.

Complementando o reajuste de custos, a tarifa de energia elétrica acumula uma alta de 15% no ano, encarecendo os sistemas de irrigação e o funcionamento dos galpões de beneficiamento.

Padrão de mercado, logística e estratégias de sobrevivência

O manejo correto dos fertilizantes reflete diretamente no valor comercial do produto final. Ricardo explica que a nutrição adequada do solo é indispensável para garantir o tamanho e o calibre ideal do tubérculo. Caso a batata não atinja o padrão exigido pelo mercado de mesa, o produto perde valor comercial de forma acentuada, sendo descartado pelas redes de distribuição e direcionado para a indústria de batata palha, que remunera o produtor com margens significativamente menores.

A comercialização enfrenta ainda o encarecimento dos processos de pós-colheita. A transição do padrão tradicional de sacas de 50 quilos para embalagens fracionadas de 25 quilos duplica a necessidade de insumos de empacotamento e exige maior volume de mão de obra para o manuseio das cargas. Essa mudança estrutural também eleva o custo do frete rodoviário e eleva as taxas cobradas pelos atravessadores que intermedeiam a venda com o varejo.

Como alternativa de sobrevivência para mitigar os prejuízos e diminuir a exposição financeira diante do risco de crédito, o setor adota uma estratégia de recuo, reduzindo a área plantada em 30%. Os produtores apostam que uma oferta menor de batata no mercado atacadista possa sustentar preços mais elevados e remuneradores no destino final, compensando o aumento do custo por hectare.