Déficit em armazenagem e fertilizantes encarecem alimentos no Brasil
Com safra acima do volume estocado, setor produtivo demanda investimentos urgentes em ferrovias e recursos contra riscos climáticos

O agronegócio brasileiro necessita de avanços estruturais urgentes para manter a competitividade e assegurar a estabilidade do abastecimento nos próximos anos. Em análise sobre os rumos do setor produtivo, o presidente da Datagro e doutor em economia agrícola, Plínio Nastari, apontou cinco gargalos prioritários que exigem a atenção do governo federal e investimentos no país, abrangendo desde a infraestrutura logística até o seguro rural.
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O primeiro ponto crítico destacado pelo economista é o descompasso entre a colheita nacional e a capacidade de estocagem de grãos. O Brasil colhe aproximadamente 360 milhões de toneladas por safra, mas a infraestrutura de silos comporta apenas 230 milhões de toneladas.
A recomendação técnica internacional orienta que o volume de armazenagem seja ao menos 30% superior ao total produzido. Sem espaço adequado para guardar a produção, o produtor rural enfrenta dificuldades na comercialização da safra.
Segundo Nastari, o déficit força a venda imediata dos produtos logo após a colheita. Essa condição provoca oscilações bruscas nas cotações de commodities agrícolas, prejudica a renda no campo e pressiona os preços dos alimentos na ponta final para o consumidor.
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A malha de transporte representa o segundo entrave para o escoamento da produção agrícola. Cerca de 70% das cargas do setor transitam em rodovias, o que encarece o frete e reduz a eficiência logística. Para equilibrar a matriz de transportes, Nastari defende a atração de investimentos para o sistema ferroviário. O especialista ressalta que o território brasileiro não possui acidentes geográficos que impeçam a expansão desse modelo de transporte de grande capacidade.
Nastari avalia que o avanço no licenciamento ambiental permitiria a exploração sustentável de reservas minerais em solo brasileiro. Outra medida apontada envolve o gás natural extraído no país, insumo frequentemente reinjetado em poços de petróleo que poderia abastecer fábricas de nitrogenados.
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O quarto aspecto envolve as exigências socioambientais do comércio exterior. O especialista pondera que parte das exigências internacionais oculta interesses protecionistas para barrar produtos nacionais no mercado global.
Por outro lado, Nastari afirma que o setor precisa estabelecer sistemas rigorosos de comprovação documental. O agronegócio já cumpre critérios elevados de preservação e sustentabilidade, mas necessita certificar esses dados para validar sua imagem perante os compradores estrangeiros.
O quinto desafio aborda a necessidade de ampliação do seguro rural, ferramenta essencial de proteção financeira contra geadas, secas e eventos climáticos extremos. Os recursos federais destinados a cobrir parte do prêmio do seguro somam cerca de R$ 470 milhões. Para o economista, a quantia é insuficiente diante da dimensão da agricultura brasileira, demandando políticas públicas robustas que garantam a permanência do produtor na atividade rural.
