
Seguro passa a ser uma ferramenta estratégica para agricultores
© Prefeitura de Campo Grande/Divulgação
O seguro rural está deixando de ser apenas uma ferramenta de proteção patrimonial para assumir um papel estratégico na estrutura de financiamento da atividade agrícola no Brasil. A mudança ganha força com a possibilidade de redução dos juros do crédito rural para os produtores que contratarem o seguro agrícola. A medida sinaliza uma evolução para a sustentabilidade do sistema de financiamento no campo em longo prazo.
Segundo o advogado André Aidar, especialista em Direito do agronegócio, essa integração fortalece uma cultura de prevenção. O cenário atual é marcado por instabilidade climática, eventos extremos e volatilidade de preços das commodities. Nesse contexto, o mecanismo deixa de ser visto como um custo adicional e passa a integrar a estratégia financeira do produtor.
Requisito econômico indireto
Embora o seguro agrícola não se torne formalmente obrigatório, a medida deve funcionar como um requisito econômico indireto para a obtenção das melhores condições de financiamento. Na avaliação do especialista, o produtor que contratar a proteção terá acesso a taxas mais competitivas, enquanto aquele que não o fizer poderá enfrentar custos financeiros maiores no crédito rural.
A mudança regulatória tende a combinar proteção patrimonial e redução dos encargos financeiros para quem produz. Para as instituições financeiras, o modelo reduz a exposição ao risco de inadimplência em situações de quebra de safra causadas por fatores climáticos. O resultado direto é o aumento da previsibilidade das operações de crédito. Para as seguradoras, a expectativa é de expansão do mercado.
Necessidade de previsibilidade orçamentária
O especialista ressalta que a consolidação desse modelo depende de maior previsibilidade nas políticas públicas voltadas ao setor. A estabilidade orçamentária é apontada como um dos pilares para o desenvolvimento do mercado de seguro no agronegócio. Quando há incerteza sobre os recursos destinados à subvenção federal, todo o planejamento de longo prazo fica prejudicado.
A instabilidade gera insegurança para produtores, seguradoras e instituições financeiras, dificultando investimentos futuros. Para que o seguro rural se consolide como elemento central da política agrícola e do crédito rural, Aidar conclui que é fundamental que o programa de subvenção possua recursos estáveis e regras claras para todo o setor.
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