A fabricação artesanal de vassouras a partir do sorgo vassourinha mantém viva uma tradição familiar que garante renda e sustentabilidade no sudoeste de Goiás. Em Rio Verde, o produtor rural Adecir e seu filho Maicon dão continuidade ao ofício herdado do avô. Com o uso de máquinas com mais de 40 anos, trazidas de Santa Catarina em 2003, a família une trabalho, faturamento e bem-estar no campo.
O trabalho de confecção das peças exige dedicação do plantio à colheita. O ciclo de produção do sorgo vassourinha dura cerca de 100 dias. Algumas variedades da planta atingem quase quatro metros de altura, o que facilita o manejo.
Após o corte, as hastes de 60 centímetros passam por secagem ao sol durante sete dias. Na fábrica familiar, a palha é selecionada, costurada, amarrada e cortada. Cada vassoura fica pronta em cinco metros e é vendida por R$ 25.
A palha colhida também atende à demanda de indústrias de grande porte. "O foco maior da produção da vassoura é a palha como matéria-prima para as fábricas de grande porte na região de São Paulo e Rio Grande do Sul, que é o nosso carro-chefe hoje", destaca Adecir.
Desafios no campo e benefícios para o solo
Neste ano, a área de cultivo foi reduzida de 60 para cinco hectares devido à escassez de mão de obra. Apesar do desafio, o sorgo vassourinha traz vantagens econômicas e agronômicas para a propriedade. Os grãos da planta são aproveitados como subproduto para a alimentação animal.
Além disso, a cultura atua diretamente na recuperação do terreno. Segundo o produtor, a espécie descompacta a terra e traz nutrientes das camadas profundas para a superfície.
Essa rotação beneficia o plantio seguinte. "A gente viu que a soja na próxima cultura saiu melhor referente a um milho que estava lado a lado", afirma Adecir.
Liderança global no cultivo de sorgo
O aprimoramento genético conta com o suporte da Embrapa, que desenvolveu cultivares mais baixas para facilitar a colheita manual. Goiás e Minas Gerais lideram a produção nacional do sorgo vassourinha, colhendo palha e grãos em etapas distintas. O Brasil ocupa a posição de maior produtor mundial do grão, com 1,8 milhão de hectares cultivados.
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