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Falta de mão de obra no setor de hortifrúti muda rotina no agronegócio

Estudo aponta que desafio para contratar trabalhadores na produção de frutas e hortaliças deixou de ser sazonal e afeta investimentos

Da redação
DA REDAÇÃO

14/08/2026 • 15:47 • Atualizado em 14/08/2026 • 15:47

Escassez de mão-de-obra não é um problema apenas do Brasil e impulsiona uso de tecnologias

Escassez de mão-de-obra não é um problema apenas do Brasil e impulsiona uso de tecnologias

Wenderson Araújo/Trilux

A dificuldade para encontrar trabalhadores na produção de frutas e hortaliças deixou de ser um problema sazonal e passou a influenciar decisões estratégicas nas propriedades rurais do país, segundo levantamento divulgado na edição de agosto da revista Hortifruti Brasil, publicada pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

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Em diferentes regiões agrícolas e culturas voltadas ao cultivo de frutas e hortaliças, a disponibilidade de trabalhadores sempre representou uma preocupação histórica. Enquanto atividades “novas”, como as que envolvem sistemas, tecnologias e logística atraem jovens para o setor, as atividades mais intensivas, como o plantio, os tratos culturais e a colheita, exigem grande volume de pessoal e não são tão atrativas. No entanto, pesquisadores do centro de estudos apontam que a dimensão desse obstáculo mudou.

Impacto nas decisões estratégicas do campo

O desafio de contratar equipes deixou de ser uma questão restrita a localidades específicas ou a períodos determinados do ano. Atualmente, o déficit de pessoal passou a interferir de forma direta no planejamento de longo prazo das empresas agrícolas.

Nas análises conduzidas pela Equipe de HF do Cepea, o obstáculo principal já não se resume a formar equipes para a safra que se inicia. Os produtores enfrentam o desafio de definir rumos complexos para a sobrevivência dos negócios.

Entre as principais dúvidas na gestão estão como organizar os processos de produção, quanto capital investir nas lavouras, os limites para a expansão das áreas cultivadas e quais tecnologias adotar para preservar a competitividade no mercado.

Desafio global e dependência do trabalho humano

O movimento de escassez de trabalhadores não é exclusivo do agronegócio brasileiro. Pesquisadores apontam que, em diferentes países produtores, a redução na oferta de mão de obra tem impulsionado investimentos robustos em mecanização, automação e qualificação profissional.

Além disso, o setor busca novas formas de organização da produção para otimizar os fluxos de trabalho. Na horticultura, contudo, esse desafio assume proporções ainda mais complexas devido às características peculiares da atividade agrícola.

Muitas das operações realizadas nas lavouras de frutas e hortaliças continuam altamente dependentes do trabalho humano. Essa realidade operacional torna a disponibilidade de pessoal um fator cada vez mais relevante para a administração das empresas rurais.

Perspectivas para a gestão agrícola e produtiva

Diante desse cenário desafiador, a busca por soluções inovadoras tornou-se uma pauta constante entre os produtores rurais. A adaptação tecnológica e a melhoria nas condições operacionais surgem como caminhos inevitáveis para o setor.

A gestão eficiente da mão de obra exige planejamento antecipado e visão estratégica aprofundada. O objetivo central dos produtores é assegurar a continuidade da oferta de alimentos frescos com qualidade para os consumidores, superando os gargalos estruturais da produção.