A dependência de insumos importados para a produção agrícola no Brasil voltou a preocupar o setor diante da atual escassez de fertilizantes no mercado internacional. Mais de 90% dos principais fertilizantes agrícolas utilizados no país são adquiridos do exterior, enquanto a parcela nacional, ainda pequena, também depende de matérias-primas importadas.
A situação se agravou após mudanças no cenário global, desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Países que antes eram grandes exportadores de insumos essenciais, como o enxofre, passaram a restringir suas vendas ou até mesmo a importar esses produtos, impactando diretamente a oferta mundial. “O custo de produção dos alimentos será impactado. [O problema dos fertilizantes] impacta em torno de 11% o custo de produção da safra, de diversas culturas, não apenas a soja, mas milho, trigo, algodão também", destaca Bernardo Silva, diretor-executivo do Sinprifert.
As dificuldades aumentaram ainda mais com a decisão da China de suspender a exportação de fertilizantes para priorizar o mercado interno. Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota para a exportação de petróleo e insumos para fertilizantes, trouxe novas restrições e riscos para o plantio da próxima safra, prevista para agosto. O temor é que a falta de insumos eleve o preço dos alimentos ao consumidor final.
Diante desse cenário, produtores de matérias-primas para a agricultura acionaram o Itamaraty, buscando apoio emergencial para garantir o fornecimento de fertilizantes. O Ministério das Relações Exteriores informou que já mobilizou representações diplomáticas em diversos países, solicitando aos governos estrangeiros a liberação das vendas. Segundo a pasta, o tema é prioridade nas agendas internacionais do ministro Mauro Vieira.
Ainda não está claro qual será o impacto da escassez de fertilizantes na produção agrícola brasileira, mas há a expectativa de que eventuais acordos internacionais, como uma possível negociação entre Irã e Estados Unidos para liberar o trânsito de navios, possam colaborar para a redução dos preços dos insumos.
No entanto, especialistas do setor apontam que a solução demanda não apenas medidas emergenciais, mas também ações de médio e longo prazo para ampliar a capacidade produtiva nacional. “A gente está precisando não apenas de medidas emergenciais, mas também criar mecanismos que vão viabilizar no médio, longo prazo, o aumento da capacidade produtiva nacional de fertilizantes.”, afirma Silva.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

