Embrapa testa fertilizante extraído de dejetos de animais
Pesquisa com estruvita supre metade da demanda de fósforo na soja e pode gerar economia de 400 mil toneladas em insumos trazidos do exterior

Uma pesquisa desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em andamento há três anos no município de Rio Verde, em Goiás, estuda o uso da estruvita como uma alternativa sustentável aos fertilizantes fosfatados tradicionais. A substância, extraída diretamente de dejetos de animais, surge como uma opção tecnológica para otimizar o manejo nutricional nas lavouras nacionais. Os dados preliminares do estudo apontam que o composto possui uma propriedade de liberação lenta no solo, o que garante o aproveitamento gradual dos nutrientes pelas plantas ao longo do ciclo vegetativo.
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A eficiência agronômica do novo insumo apresenta resultados promissores nas áreas de teste. Durante as avaliações de campo, a estruvita consegue suprir cerca de 50% de toda a demanda de fósforo necessária para o desenvolvimento e cultivo da soja.
O desempenho do fertilizante orgânico abre caminho para a diversificação de ferramentas tecnológicas à disposição do produtor rural, aliando a destinação correta de resíduos pecuários ao ganho de produtividade nas grandes culturas de grãos.
Testes em campo e transição para a escala comercial
O avanço metodológico da pesquisa consolida a transição dos ambientes controlados de laboratório e casas de vegetação para sistemas agrícolas reais. Os pesquisadores e técnicos da Embrapa avançam com as avaliações diretamente em lavouras comerciais a céu aberto, permitindo analisar o comportamento do insumo sob diferentes condições climáticas e tipos de solo.
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O objetivo central das equipes nesta nova fase é viabilizar a implementação de uma planta de produção mais robusta e de maior capacidade operacional. A estrutura industrial é considerada fundamental para definir os padrões de processamento da estruvita e garantir a viabilidade técnica de seu uso em escala comercial, oferecendo um alívio financeiro para o planejamento das safras futuras, como o ciclo de 2026/2027.
Impacto macroeconômico e o mercado de fertilizantes
O desenvolvimento de tecnologias nacionais de fertilização impacta diretamente a balança comercial e a segurança alimentar do país. Atualmente, o Brasil importa mais de 80% de todos os fertilizantes utilizados para sustentar a produção do agronegócio.
A alta dependência de insumos importados deixa o setor agrícola brasileiro vulnerável às oscilações da moeda americana e às variações dos custos logísticos de importação.
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O aproveitamento sistemático desse resíduo de origem animal apresenta o potencial de gerar uma economia interna de quase 400 mil toneladas de fósforo que deixariam de ser compradas no mercado internacional.
