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Embrapa testa fertilizante extraído de dejetos de animais

Pesquisa com estruvita supre metade da demanda de fósforo na soja e pode gerar economia de 400 mil toneladas em insumos trazidos do exterior

Da redação
DA REDAÇÃO

02/06/2026 • 10:52 • Atualizado em 02/06/2026 • 12:11

Uma pesquisa desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em andamento há três anos no município de Rio Verde, em Goiás, estuda o uso da estruvita como uma alternativa sustentável aos fertilizantes fosfatados tradicionais. A substância, extraída diretamente de dejetos de animais, surge como uma opção tecnológica para otimizar o manejo nutricional nas lavouras nacionais. Os dados preliminares do estudo apontam que o composto possui uma propriedade de liberação lenta no solo, o que garante o aproveitamento gradual dos nutrientes pelas plantas ao longo do ciclo vegetativo.

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A eficiência agronômica do novo insumo apresenta resultados promissores nas áreas de teste. Durante as avaliações de campo, a estruvita consegue suprir cerca de 50% de toda a demanda de fósforo necessária para o desenvolvimento e cultivo da soja.

O desempenho do fertilizante orgânico abre caminho para a diversificação de ferramentas tecnológicas à disposição do produtor rural, aliando a destinação correta de resíduos pecuários ao ganho de produtividade nas grandes culturas de grãos.

Testes em campo e transição para a escala comercial

O avanço metodológico da pesquisa consolida a transição dos ambientes controlados de laboratório e casas de vegetação para sistemas agrícolas reais. Os pesquisadores e técnicos da Embrapa avançam com as avaliações diretamente em lavouras comerciais a céu aberto, permitindo analisar o comportamento do insumo sob diferentes condições climáticas e tipos de solo.

O objetivo central das equipes nesta nova fase é viabilizar a implementação de uma planta de produção mais robusta e de maior capacidade operacional. A estrutura industrial é considerada fundamental para definir os padrões de processamento da estruvita e garantir a viabilidade técnica de seu uso em escala comercial, oferecendo um alívio financeiro para o planejamento das safras futuras, como o ciclo de 2026/2027.

Impacto macroeconômico e o mercado de fertilizantes

O desenvolvimento de tecnologias nacionais de fertilização impacta diretamente a balança comercial e a segurança alimentar do país. Atualmente, o Brasil importa mais de 80% de todos os fertilizantes utilizados para sustentar a produção do agronegócio.

A alta dependência de insumos importados deixa o setor agrícola brasileiro vulnerável às oscilações da moeda americana e às variações dos custos logísticos de importação.

O aproveitamento sistemático desse resíduo de origem animal apresenta o potencial de gerar uma economia interna de quase 400 mil toneladas de fósforo que deixariam de ser compradas no mercado internacional.