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Rio Grande do Sul retoma produção de mel e projeta safra recorde para 2026

Após perdas históricas que reduziram a atividade a um terço da média, produtores gaúchos contam com clima favorável para colher 11 mil toneladas

Da redação
DA REDAÇÃO

01/06/2026 • 09:29 • Atualizado em 01/06/2026 • 09:29

Benyamin Bohlouli/Unsplash

Resumo

Retomada produtiva marca o cenário apícola do Rio Grande do Sul após dois anos das enchentes históricas, com recuperação gradual das atividades, reorganização das propriedades devastadas e reaquecimento da economia agrícola local, permitindo o retorno de trabalhadores ao setor de derivados do mel.

Crise climática impacta fortemente os apicultores, exemplificada pela experiência do produtor Sadir em Eldorado do Sul, que perdeu quase todas as colmeias e agora mantém apenas 15 caixas, refletindo a situação de centenas de famílias que dependem financeiramente da apicultura.

Ranking nacional registra queda do Rio Grande do Sul para a terceira posição após perdas estruturais, com produção reduzida a um terço da média histórica em 2025, mas projeções da Emater para 2026 apontam recuperação significativa, baseada em ações de reconstrução e condições climáticas favoráveis, podendo levar a safra a 11 mil toneladas, o melhor resultado em cinco anos.

O Rio Grande do Sul iniciou a retomada consolidada de sua produção de mel dois anos após as enchentes históricas que afetaram drasticamente a cadeia apícola local. O setor produtivo demonstra sinais de recuperação gradual com o restabelecimento das atividades no campo e a reorganização das propriedades rurais que foram devastadas pelas cheias. A reestruturação reaquece a economia agrícola das regiões atingidas, permitindo o retorno de trabalhadores ao mercado de derivados do mel.

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O impacto socioeconômico sobre os apicultores locais evidencia a gravidade da crise climática enfrentada pelo estado nos últimos anos. O relato do produtor Sadir, que conduz seus apiários no município de Eldorado do Sul, exemplifica a dimensão das perdas registradas na região: até o ano de 2024, ele gerenciava mais de 80 caixas de abelhas em plena atividade operacional.

Com as inundações, Sadir perdeu a totalidade de suas colmeias, restando-lhe atualmente apenas 15 caixas em processo de produção. A realidade do produtor reflete o cenário de centenas de famílias que dependem diretamente da apicultura para o sustento financeiro.

Queda no ranking nacional e o pior momento da atividade

Historicamente reconhecido pela excelência e volume de sua produção, o estado gaúcho liderava o ranking nacional de produção de mel até o ano de 2024. Devido aos danos estruturais provocados pelas cheias nas áreas de pastagem apícola, o Rio Grande do Sul perdeu o posto de maior produtor do país para o estado do Paraná, sendo superado também pelo Piauí, que ocupa a segunda posição nacional.

O momento mais crítico para a apicultura gaúcha ocorre durante a safra correspondente ao ano de 2025. Naquele período, o volume totalizado pelo estado atinge pouco mais de 3 mil toneladas de mel, índice que equivale a apenas um terço da média histórica registrada tradicionalmente pelo setor. A retração afetou o abastecimento do mercado interno e reduziu o volume do produto disponível para exportação, gerando prejuízos na balança comercial agrícola.

Projeção da Emater e fatores de recuperação

Para o ano corrente de 2026, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) projeta uma forte reação do mercado, com a estimativa de colher 11 mil toneladas de mel até o encerramento do ano. Caso os números se confirmem nos relatórios oficiais das próximas semanas, este será o melhor resultado volumétrico alcançado pela apicultura do Rio Grande do Sul nos últimos cinco anos.

O crescimento expressivo fundamenta-se em dois pilares centrais: as ações integradas de reconstrução e as condições meteorológicas vigentes. No plano estrutural, o avanço decorre da distribuição subsidiada de novas colmeias e da instalação de apiários estratégicos nas áreas afetadas, permitindo o repovoamento biológico das propriedades.

No fator ambiental, o clima favorável na região Sul garante uma floração de primavera abundante, resultando em uma maior disponibilidade de néctar para o manejo das abelhas.