
Embalagens longa-vida: veja o que é mito sobre estas caixinhas
Divulgação/TP
As embalagens cartonadas, popularmente chamadas de longa vida, transformaram a conservação e distribuição de alimentos no mundo, permitindo o armazenamento de leite, sucos e até bebidas alcoólicas sem a necessidade de refrigeração antes da abertura.
Criadas em 1951 na Suécia por Ruben Rausing, fundador da TetraPak, essas caixinhas surgiram com o objetivo de disponibilizar produtos de forma segura em qualquer lugar, dispensando aditivos químicos.
Apesar da praticidade e presença constante no cotidiano, o material ainda desperta dúvidas e é alvo de desinformação. Para esclarecer o funcionamento dessa tecnologia, especialistas detalham a composição das camadas protetoras e os processos térmicos envolvidos na produção.
Mitos sobre a produção e segurança
Uma das fake news mais comuns envolve as barrinhas coloridas encontradas no fundo das embalagens. Segundo Salvador Marino, diretor industrial da TetraPak, os quadrados coloridos são apenas testes de impressão. Eles servem para que os especialistas acompanhem a qualidade das tintas à base de água em tempo real, evitando desperdício de matéria-prima. Além disso, Marino ressalta que o reprocessamento térmico do leite para consumo humano é proibido por regulamentação federal.
Outro ponto que gera confusão é a necessidade de conservantes. Na verdade, o produto envasado nessas caixinhas dispensa aditivos devido ao sistema asséptico e às seis camadas da embalagem, que incluem papel, plástico e alumínio. Fernanda Miguel, gerente técnica da Tetra Pak, explica que processos térmicos como a pasteurização e o UHT (Ultra-High-Temperature), unidos ao envase sem contato com o ambiente externo, garantem a segurança e a vida útil prolongada do alimento.
Riscos ao cozinhar na embalagem
Embora circulem receitas na internet sobre como fazer doce de leite ou cozinhar carne dentro da própria caixinha, especialistas alertam que a prática é um mito perigoso. A embalagem longa vida não foi projetada para ser submetida a altas temperaturas em fogões ou fornos. Quando aquecidos dessa forma, os materiais que compõem as seis camadas podem migrar para o alimento, comprometendo a saúde do consumidor.
Pelo mesmo motivo, a embalagem cartonada nunca deve ir ao micro-ondas. Como possui alumínio em sua composição, o metal pode gerar faíscas dentro do aparelho, causando danos ao eletrodoméstico e riscos de incêndio.
Sustentabilidade e reciclagem
Diferente do que muitos acreditam, as caixinhas são 100% recicláveis. Seus três componentes principais — papel, plástico e alumínio — podem ser reaproveitados pela indústria. Para garantir que o material seja reciclado, o consumidor deve destinar as embalagens para a coleta seletiva, preferencialmente após um rápido enxágue para eliminar resíduos orgânicos que possam contaminar o lote.
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