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Preço do leite sobe e produção nacional cai no primeiro trimestre de 2026

Alta nos custos de produção e importações recordes do Mercosul pressionam o setor leiteiro; preço do leite longa vida subiu 11,7% em março

Da redação
DA REDAÇÃO

23/04/2026 • 08:53 • Atualizado em 23/04/2026 • 08:53

Resumo

O aumento do preço do leite ao consumidor é resultado da queda de 3,6% na produção nacional no início de 2026, dos custos de produção elevados, fatores climáticos adversos e maior concorrência externa, o que encareceu também derivados como queijo e iogurte.

O levantamento do Cepea/Esalq mostra que o leite sofreu desvalorização de 23% para o produtor em relação ao ano anterior, enquanto o leite longa vida subiu 11,7% nas prateleiras em março, cenário que levou produtores, como o pecuarista César, a trabalharem com prejuízo e a reduzirem investimentos no setor.

A importação de mais de 2 bilhões de litros do Mercosul em 2025 e a produção recorde causaram queda de preços no passado, mas em 2026 a elevação dos custos logísticos, do frete e dos combustíveis, aliada à entressafra e às mudanças climáticas, mantêm os preços elevados e pressionam toda a cadeia do agronegócio.

O preço do leite ao consumidor registra forte alta neste início de ano, impulsionado pelo aumento nos custos de produção, fatores climáticos e forte concorrência externa. No primeiro trimestre de 2026, a produção nacional de leite caiu 3,6% entre janeiro e fevereiro, enquanto itens como queijo, iogurte e leite em pó ficaram mais caros devido à entressafra e à seca nas pastagens.

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Segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, o leite foi um dos itens que mais sofreu desvalorização para o produtor, com queda de 23% em comparação ao mesmo período do ano passado. Por outro lado, nas prateleiras, o leite longa vida subiu 11,7% apenas no mês de março.

Desafios do produtor rural

A situação é classificada como preocupante tanto para quem consome quanto para quem produz. O pecuarista César, que utiliza sistemas automatizados e robôs para a ordenha, relata que o investimento alto não tem compensado nos últimos meses. Segundo ele, entre novembro e fevereiro os produtores "pagaram para trabalhar", pois o valor recebido pelo litro foi inferior ao custo de produção.

Muitos produtores rurais utilizaram as reservas financeiras acumuladas no ano anterior para quitar dívidas. Essa descapitalização levou a uma redução nos investimentos no setor, o que impacta diretamente a oferta de leite no mercado nacional agora.

Importação e custos de logística

No ano passado, a produção recorde e o aumento das importações — que superaram 2 bilhões de litros vindos de países do Mercosul — fizeram o preço cair cerca de 13% nos supermercados. No entanto, o cenário em 2026 mudou drasticamente com a elevação dos custos operacionais e a pressão do frete, influenciada pela alta dos combustíveis.

Especialistas do setor apontam que a tendência é de preços elevados pelo menos até o meio do ano. Além da questão sazonal da entressafra — período entre as safras principais onde a oferta naturalmente diminui —, as mudanças climáticas e o custo do transporte seguem pressionando a cadeia produtiva.

O índice geral de produtos agropecuários recuou quase 10% no primeiro trimestre, afetando também grãos, cana-de-açúcar, café e hortaliças. O valor do boi gordo, que teve uma leve alta, foi o único fator que impediu uma queda ainda maior no índice geral do agronegócio.

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