Entrada ilegal de lhamas no Acre acende alerta sanitário para a pecuária
Carga com mais de 40 animais transportados sem documentação foi apreendida pela Polícia Federal; autoridades monitoram riscos para o agronegócio

A Polícia Federal do Acre realiza a apreensão de mais de 40 lhamas transportadas de forma irregular em um caminhão próximo à divisa com o estado de Rondônia. A carga não apresenta nenhum tipo de documentação fiscal, comprovante de quarentena ou informe sanitário exigido pelas autoridades brasileiras para o trânsito de animais exóticos. O episódio acende o sinal de alerta no setor produtivo, uma vez que o Brasil possui um dos sistemas de controle sanitário mais eficientes do mundo.
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Atualmente, as lhamas sobreviventes estão abrigadas sob os cuidados de uma organização não governamental (ONG) de proteção animal em uma propriedade rural localizada no Acre. Três animais morreram logo após a realização da fiscalização na estrada.
Diante dos óbitos, a Polícia Federal busca apoio técnico especializado para identificar as causas exatas das mortes, investigando se há relação com a falta de adaptação ao clima local ou com a manifestação de alguma doença infectocontagiosa.
Ameaça ao status de zona livre de febre aftosa
De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), a entrada desses animais de forma fraudulenta e sem as devidas barreiras de fiscalização coloca em risco direto o status sanitário de toda a região Norte.
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O estado do Acre demandou anos de investimentos públicos e privados para obter o reconhecimento internacional como zona livre de febre aftosa sem vacinação.
O avanço na segurança biológica permite que o estado exporte carne bovina, suína e derivados para quase 20 países. A introdução de patógenos externos por meio do contrabando de animais põe em xeque esses acordos comerciais. Uma eventual contaminação ou perda da certificação internacional acarretaria um prejuízo econômico de grandes proporções para os produtores locais e para a balança comercial do estado.
Investigação da rota e destinação dos animais
As investigações preliminares apontam que o destino final da carga clandestina seria o município de Alvorada do Oeste, em Rondônia. A Polícia Federal trabalha para identificar os responsáveis pelo agenciamento do transporte, os proprietários do veículo e os potenciais compradores dos animais na região rondoniense, mapeando a rota completa utilizada para burlar a fiscalização na fronteira.
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As autoridades de defesa agropecuária locais aguardam um posicionamento oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para definir as medidas administrativas em relação ao lote.
O órgão federal deve decidir se os animais sobreviventes serão devolvidos ao país de origem ou se, seguindo rigidamente os protocolos previstos pelas leis sanitárias vigentes para conter riscos de epidemias, precisarão ser sacrificados.
