Sisal na Bahia: Produção do "ouro verde" movimenta R$ 165 milhões
Fibra natural extraída no semiárido baiano é símbolo de renda para produtores familiares e coloca o Brasil como maior produtor global do setor

O sisal, planta conhecida como "ouro verde" do Nordeste, movimenta mais de R$ 165 milhões por ano e transforma a economia do semiárido baiano. Responsável por mais de 95% da produção nacional, a Bahia concentra a atividade em um território composto por 20 cidades, onde o cultivo é realizado predominantemente por produtores familiares. A planta, oriunda do México, chegou ao sertão da Bahia por volta de 1948 e se tornou um símbolo de sobrevivência em regiões onde a vegetação resiste ao sol forte e a chuva é escassa.
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A extração da fibra, que no passado era feita de forma artesanal com rendimento de até 20 kg por dia, evoluiu com o desenvolvimento da tecnologia no campo. Atualmente, o uso da chamada "máquina paraibana" permite que a produção diária alcance entre 200 kg e 400 kg de fibra. Na fazenda do produtor Cassiano, em Valente (BA), a produtividade anual de sisal varia de 35 a 50 toneladas, garantindo o sustento e a realização de sonhos da família, que mantém a tradição há três gerações.
O papel do cooperativismo e do crédito rural
O fortalecimento da cultura do sisal no sertão nordestino está diretamente ligado ao cooperativismo e ao associativismo. A Associação Comunitária de Produção e Comercialização de Sisal (Apaeb) atua na organização dos produtores e no beneficiamento da fibra, comprando a produção para agregar valor ao produto final. Esse modelo coletivo busca encontrar soluções para os problemas enfrentados no semiárido e garantir preços mais justos para quem trabalha no campo.
Além da organização produtiva, o crédito cooperativo funciona como uma engrenagem essencial para o desenvolvimento regional. A disponibilização de linhas de crédito específicas fomenta o negócio, permitindo que o produtor adquira máquinas e realize a manutenção necessária para melhorar os resultados da colheita. O intercooperativismo cria uma rede onde uma cooperativa fortalece a produção enquanto outra garante o acesso financeiro, facilitando processos que antes exigiam longos deslocamentos.
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Processamento e exportação para o mercado global
A fibra do sisal passa por um processo rigoroso antes de ganhar o mercado internacional. Após a colheita manual, o material passa por lavagem e secagem ao sol por até quatro dias. Na indústria de beneficiamento, os fios são esticados e classificados para serem transformados em fios, cordas, carpetes e tapetes de alta resistência e versatilidade.
Como maior produtor mundial, o Brasil exporta, em média, 800 toneladas de produtos derivados do sisal por mês. Os principais destinos da produção baiana incluem a China, os Estados Unidos e países da União Europeia.
O aproveitamento total da planta é um dos diferenciais da cultura: além da fibra, a planta possui um tronco alto chamado de flecha (haste floral), de onde são retiradas as mudas para os próximos plantios, garantindo o ciclo renovável da produção.
