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El Niño acende alerta vermelho nas lavouras de arroz no sul do Brasil

Com previsão de excesso de chuvas no Sul e seca no Centro-Norte, produtores devem redobrar a atenção contra o avanço da brusone nas lavouras

Da redação
DA REDAÇÃO

16/07/2026 • 18:00 • Atualizado em 16/07/2026 • 18:00

Lavouras de arroz podem ser severamente prejudicadas por pragas

Lavouras de arroz podem ser severamente prejudicadas por pragas

Freepik

O fenômeno El Niño apresenta probabilidade superior a 90% de permanecer ativo até o início de 2027, segundo monitoramento do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). A persistência do evento climático provoca fortes contrastes no Brasil, criando um cenário de incertezas para o agronegócio nacional.

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Enquanto a Região Sul enfrenta excesso de chuvas e baixa luminosidade, o Centro-Norte do país lida com secas e altas temperaturas. Essas condições climáticas extremas alteram o ambiente das lavouras, favorecendo a rápida disseminação de pragas e doenças fúngicas que colocam em risco a qualidade e o volume das safras.

A cultura do arroz é um dos principais pontos de atenção nesse cenário. Tanto no cultivo irrigado quanto nas áreas de terras altas, a planta pode sofrer os impactos diretos do solo encharcado ou do estresse hídrico.

O ambiente se torna particularmente favorável à ocorrência da brusone, doença causada pelo fungo Pyricularia oryzae. O patógeno tem seu desenvolvimento acelerado em condições de umidade relativa superior a 89%, temperaturas entre 20°C e 30°C e longos períodos de molhamento foliar.

"A brusone é a doença mais destrutiva do arroz. Ela ocorre em todo o território brasileiro e tem potencial para comprometer toda a produção", afirma Fabio Kagi, gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

A brusone pode manifestar-se em qualquer estágio de desenvolvimento da planta e em toda a sua parte aérea. Os produtores devem monitorar a lavoura em busca dos primeiros sintomas, caracterizados por pequenos pontos castanhos.

Com a evolução da doença, essas manchas tornam-se arredondadas, com extremidades agudas e um centro necrótico, local onde o fungo realiza sua reprodução. Se não houver controle, as lesões podem se unir e comprometer extensas áreas de folhagem, prejudicando a saúde de toda a plantação.

Para reduzir os impactos, especialistas recomendam o manejo integrado. O foco deve ser a eliminação de fontes de inóculo — fungos que permanecem em sementes contaminadas ou restos culturais deixados sobre o solo, que podem ser facilmente disseminados pela água da chuva. "O tratamento de grãos com fungicidas sistêmicos é uma das medidas mais eficazes atualmente", destaca Kagi. Essa prática garante proteção durante a fase vegetativa contra infecções primárias, frequentemente provenientes de lavouras vizinhas ou resíduos de safras anteriores.

O cuidado com as panículas (a inflorescência do arroz) é classificado como crítico, pois determina o enchimento final dos grãos. As aplicações preventivas devem ser realizadas entre o emborrachamento — estágio em que a panícula se forma dentro da bainha da folha — e o início da emissão da espiga, sempre respeitando as dosagens e recomendações técnicas dispostas em bula.