A taxação de 25% sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, confirmada pelo governo de Donald Trump, na quarta-feira (15) inclui o setor de máquinas agrícolas. As exportações brasileiras do setor para os americanos, porém, é pequena e não deve comprometer o setor. No entanto, caso o Brasil aplique a Lei da Reciprocidade, conforme o governo afirmou que fará, o tarifaço pode provocar um “efeito bumerangue” no setor de máquinas. As tarifas entram em vigor no dia 22.
O Brasil possui um déficit comercial no segmento de máquinas com os Estados Unidos. No ano passado, o país importou R$ 383 milhões em equipamentos norte-americanos, enquanto exportou R$ 113 milhões para aquele mercado. "A balança comercial de máquinas agrícolas com os Estados Unidos é favorável a eles", afirmou Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq. Ele acredita que o impacto será limitado.
No entanto, apesar da avaliação de impacto limitado, a indústria nacional manifesta preocupação com o ambiente de incertezas. Estevão ressalta que a medida é negativa, já que fecha um potencial mercado. "Se alguém pensa em aumentar exportação de máquinas para lá, não conseguirá", lamentou o representante da Abimaq.
Além da perda de competitividade no mercado norte-americano, os empresários alertam para riscos à cadeia de suprimentos local. A indústria de máquinas, especialmente a instalada no Rio Grande do Sul, depende da importação de componentes eletrônicos dos Estados Unidos. Caso a retaliação brasileira alcance esses itens, poderá haver uma elevação dos custos de produção, prejudicando os fabricantes locais e afetando as vendas internas.
Embora fontes externas tenham registrado informações conflitantes sobre a exclusão das máquinas ou redução da alíquota, os dados oficiais confirmam a sobretaxa de 25%. O governo brasileiro ainda não detalhou tecnicamente como a Lei de Reciprocidade será aplicada, mantendo o setor em compasso de espera.
Diante do anúncio, o governo brasileiro comunicou que reagirá à tarifação. A estratégia adotada será a aplicação da Lei de Reciprocidade, que autoriza o país a impor tarifas equivalentes contra produtos norte-americanos, visando equilibrar a balança comercial e proteger a indústria nacional.
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