Agroband

Exportações do setor agrícola podem perder US$ 5,8 bilhões com tarifaço

Se combinadas as exportações dos setores agro e indústria, o rombo na economia nacional pode superar US$ 11 bilhões

VIVIANE TAGUCHI

16/07/2026 • 17:38 • Atualizado em 16/07/2026 • 17:38

O governo norte-americano confirmou, na noite de quarta-feira (15), as tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Boa parte de produtos agrícolas que antes eram taxados, como carnes, café (incluindo o café solúvel) e suco de laranja ficaram isentos, mas ainda há uma enorme lista de produtos agropecuários tarifados, como o etanol, calçados, pescados e açúcar. Só no agro, o prejuízo com as exportações pode chegar a US$ 5,8 bilhões, resultado do aumento de custos e da redução das margens de lucro dos produtos nacionais no mercado americano.

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De acordo com a Amcham Brasil, se combinados os setores agropecuário e agroindústria, o impacto pode superar US$ 11 bilhões.

Setores e justificativas das novas tarifas

A sobretaxa, que integra uma investigação sob a "Seção 301" da legislação comercial americana, incide sobre diversos itens importantes da pauta exportadora do Brasil. Os produtos que enfrentam as tarifas mais elevadas, variando de 25% a 100%, incluem sucos de frutas, exceto FCOJ laranja, açúcar, derivados de madeira e etanol.

O governo americano justifica a aplicação dessas tarifas alegando "práticas comerciais desleais" por parte do Brasil. As reclamações envolvem desde a estrutura de meios de pagamento – citando especificamente o Pix – até questões sensíveis como propriedade intelectual e políticas de combate ao desmatamento.

Existe um consenso entre especialistas, como os da FGV Agro e da Amcham Brasil, de que a medida é prejudicial para a relação comercial bilateral, com potencial de elevar os custos para o próprio consumidor final nos Estados Unidos.

Apesar das projeções macroeconômicas de perda, o Ministério da Agricultura (Mapa) ainda não consolidou uma nota técnica detalhando planos de contingência específicos para as microrregiões produtoras afetadas pela implementação total das tarifas em julho de 2026. Enquanto isso, o setor agropecuário busca alternativas para mitigar os danos.