
Se aprovada nova tarifa, café solúvel pode pagar 25% de sobretaxa aos EUA
Pixabay
As exportações de café brasileiro para os Estados Unidos vive um cenário de alívio parcial e vigilância constante. Em nova proposição feita na segunda-feira (1º), o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sugeriu uma tarifa de 25% sobre diversos produtos nacionais, mas criou uma lista de exceções que protege a maior parte do setor cafeeiro, como os grãos verdes e torrados.
A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) avalia como favorável o fato de o bureau americano ter atendido aos argumentos técnicos para isentar os cafés não processados. No entanto, o café solúvel brasileiro, que não havia sido retirado do chamado "tarifaço" iniciado em 2025, permanece como o elo vulnerável da corrente.
Diferente do café em grão (verde ou torrado), o café solúvel — aquele que passa por um processo industrial de desidratação para se tornar instantâneo — continua na mira do governo americano. Caso a proposição atual seja mantida, este produto terá sua taxação elevada dos atuais 10% para 25% a partir de 15 de julho de 2026.
Essa manutenção de taxas elevadas gera preocupação imediata para a indústria representada pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). A BSCA ressalta que restrições comerciais desse porte podem gerar reflexos negativos em toda a cadeia de valor, prejudicando a competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano.
A instituição destaca que o café solúvel é um produto de alto valor agregado, e o aumento da tarifa encarece o item para o consumidor final nos EUA, além de desestimular a produção industrial no Brasil.
Processo regulatório e próximos passos
É fundamental destacar que a medida apresentada pelo USTR ainda não é definitiva. O governo dos Estados Unidos está conduzindo um processo regulatório que prevê etapas de discussão e análise técnica antes de qualquer implementação oficial das novas taxas.
De acordo com o bureau americano, o cronograma prevê a realização de uma audiência pública no dia 6 de julho. O encontro ocorrerá sob o amparo da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, dispositivo legal que os EUA utilizam para investigar e responder a práticas comerciais de parceiros estrangeiros.
Lista de produtos isentos
Enquanto o solúvel luta pela isenção, outros itens do setor constam na lista de exceções proposta pelo USTR e não devem sofrer o impacto dos 25% de tarifa. Entre os produtos que seguem protegidos estão:
Café em grão (não torrado), com ou sem cafeína;
Café torrado, com ou sem cafeína;
Cascas e películas de café;
Substitutos de café que contenham o grão em sua composição;
Extratos, essências e concentrados (exceto o café solúvel sem sabor).
A BSCA informou que manterá contato permanente com o governo brasileiro e com parceiros comerciais nos Estados Unidos para tentar reverter a taxação sobre os solúveis. O objetivo é garantir que todos os tipos de café produzidos no Brasil tenham livre acesso ao mercado norte-americano sem barreiras tarifárias.
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