
Café solúvel não entrou na lista de isenção de tarifas
Trilux
O Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) afirmou, em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (21) que, apesar do anúncio da retirada das tarifas sobre o café - que inclui o café verde, torrado, descafeinado, cascas e películas e substitutos que contém café - continuam dialogando com o governo norte-americano para que o café solúvel também tenha a sobretaxa retirada nas próximas semanas. O produto ficou de fora da lista da Ordem Executiva assinada por Trump nesta quinta-feira (20).
Na semana anterior, a Casa Branca já havia retirado a tarifa de 10% sobre o café brasileiro, após reunião entre ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira e o secretário americano Marco Rubio, e agora, com este novo anúncio, o café passa a ser exportado sem tarifas - como acontece com outros países prdutores de café, como a Colômbia e o Vietnã.
As exportações brasileiras de café para os Estados Unidos movimenta cerca de US$ 2,5 bilhões ao ano. O país é um dos principais destinos do café brasileiro e também é o maior consumidor do mundo. Desde julho, com o anúncio do tarifaço, as exportações nacionais já haviam caído 50%, segundo os exportadores. “O Brasil perdeu participação nos blends das principais empresas globais do mercado americano”, afirmou a instituição.
Leia o comunicado do Cecafé:
"O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), como legítimo representante de mais de 120 associados, que englobam cooperativas, empresas nacionais e globais que representam cerca de 97% das exportações dos cafés do Brasil, para aproximadamente 150 países no mundo, celebra a reversão das tarifas de 40% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao café nacional a ser importado pela nação norte-americana, após a modificação da Ordem Executiva 14.323 de 30/07/2025.
O Cecafé comemora a reversão das tarifas e reconhece os esforços realizados pelos governos de EUA e Brasil e pelas nossas contrapartes americanas, representadas pela National Coffee Association (NCA) e por grande parte da indústria torrefadora dos Estados Unidos.
A celebração da reversão das medidas ocorre após meses de intenso trabalho de representação dos interesses dos cafés brasileiros. Trata-se de uma histórica vitória para toda a cadeia produtiva do agronegócio café, que somente foi possível graças ao suporte dos associados, do Conselho Deliberativo do Cecafé e do setor privado norte-americano, que colaboraram e alinharam estratégias e frentes de atuação durante todo o período de enfretamento do tarifaço.
O trabalho de representação do Cecafé ainda segue nas negociações junto ao governo brasileiro e nossas contrapartes dos EUA, pois o café solúvel não está incluído nas isenções, conforme produtos elencados nos anexos das Ordens Executivas. Com os avanços na relação bilateral e a boa relação entre os negociadores, o Cecafé seguirá atuando com informações estratégicas para buscar a isenção completa de todo o setor diante dos impactos positivos a toda cadeia produtiva brasileira.
Histórico da atuação do Cecafé nas questões relacionadas às tarifas dos EUA:É importante recordar que, no dia 9 de julho de 2025, em carta enviada ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Donald Trump reuniu diversas alegações comerciais e políticas para justificar a taxação de 50% sobre produtos brasileiros (10% de tarifa recíproca, somados à 40% de tarifas adicionais ao país). Posteriormente, em 30 de julho, o presidente Trump assinou uma Ordem Executiva, a qual oficializava a medida, que passaria a valer sete dias após o comunicado, ou seja, 6 de agosto.
Desde então, o Cecafé passou a atuar em diversas frentes de trabalho, internamente e no âmbito internacional, com base em uma diplomacia empresarial e econômica para auxiliar a abertura do diálogo e das negociações entre os países.
Reforçamos amplo apoio ao Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais para definir estratégias de negociação e reversão das tarifas, liderado pelo vice-presidente e ministro de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin. Foram diversas reuniões de alinhamento, posicionamento e estratégias de negociação com olhar específico para os principais produtos atingidos.
O Cecafé destacou ao governo federal que as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil representavam perda total de competitividade ao café brasileiro frente às outras origens. Com o acordo comercial anunciado pelos EUA com outros países produtores de café, como Vietnã e Indonésia, somado à tarifa de 10% atualmente imposta a nações concorrentes, como Colômbia, Costa Rica, Etiópia, entre outros, o Brasil perdeu participação nos blends das principais empresas globais do mercado americano.
Se o tarifaço permanecesse e essa perda de espaço nas tradicionais e conhecidas marcas americanas crescesse, levaríamos anos, décadas ou mesmo viveríamos um cenário irreversível para a recuperação de nossa participação no mercado dos EUA, isso porque o consumidor passaria a se adaptar aos cafés de outras origens e o Brasil perderia o protagonismo no principal mercado consumidor.
No início de agosto, após importante reunião na Embaixada dos EUA no Brasil, o encarregado de negócios Gabriel Escobar, em nome da Embaixada Americana, fez o envio de Ofício do Cecafé, que apresentava as preocupações e impactos das tarifas para os consumidores norte-americanos, para o presidente Donald Trump e ao vice-presidente JD Vence, e também para os secretários de Comércio, de Estado, do Tesouro e da Agricultura dos Estados Unidos, além do United States Trade Representative (USTR).
Fruto dessa articulação, no dia 18 de agosto, o Cecafé se reuniu virtualmente com oficiais do Departamento de Estado dos EUA para defender a exclusão do café da tarifa de 50% imposta pelo governo Trump. Foi uma primeira conversa, na qual o setor reiterou os argumentos centrais sobre a relação de interdependência e de parceria histórica no café, demonstrando as qualidades, a sustentabilidade e a isenção ao café brasileiro como garantia de que o consumidor dos EUA seguiria desfrutando de cafés de qualidade a preços acessíveis.
Apresentamos, ainda, informações estratégicas em defesa do café brasileiro em relação à investigação iniciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974. O Cecafé fez a defesa do café brasileiro, no dia 3 de setembro de 2025, com foco nos dados científicos de sustentabilidade, qualidade e credibilidade dos cafés do Brasil, em narrativa harmonizada com a contraparte nos EUA, a National Coffee Association.
As defesas realizadas pelo Cecafé e pela NCA foram ouvidas e debatidas pelos oficiais reunidos na investigação da chamada Seção 301, prevista na Lei de Comércio dos Estados Unidos, que permite ao USTR investigar atos, políticas ou práticas estrangeiras que violem acordos comerciais internacionais.
Posteriormente, em outubro, o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, participou da missão presidencial e empresarial na Indonésia e na Malásia. Ao lado de ministros de Estado e do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o Cecafé acompanhou a missão, participando de determinadas reuniões com ministros, apresentando informações e subsídios técnicos em relação ao café brasileiro para colaborar nas negociações.
Em coletiva de imprensa, no dia seguinte à reunião com o presidente Donald Trump para relatar as tratativas, o presidente Lula destacou que estava dedicado a negociar e a solucionar o grave problema das tarifas e que se dedicaria pessoalmente a esta questão, caso os setores ainda encontrassem dificuldades e riscos diante das tarifas impostas pelos EUA aos produtos brasileiros.
A diretoria executiva do Cecafé, representada pelo diretor-geral Marcos Matos e pelo diretor técnico Eduardo Heron, voltou a se reunir com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, no dia 22 de outubro, seguido por nova reunião, em 19 de novembro, com a participação do presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, quando foi apresentado o avanço no cenário das negociações entre Brasil e EUA.
Somado a isso, o vice-presidente ainda mencionou que uma das frentes de trabalho seria buscar a isenção de mais produtos, como o café, aproveitando-se da Ordem Executiva assinada pelo governo Trump no dia 5 de setembro.
O Cecafé também fez parte da missão empresarial promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Washington, nos EUA, com o objetivo de dialogar com o governo americano sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros.
Como integrante da delegação, o Cecafé se reuniu com o Departamento de Estado, o Departamento de Comércio, o USTR e outros representantes americanos para tentar negociar a redução das taxas, buscando um diálogo técnico e racional, apresentando estudos, informações e buscando entender as questões do lado americano.
A missão foi avaliada, positivamente, como um primeiro passo para iniciar negociações, com o estabelecimento de pontes de comunicação com autoridades americanas.
Diante de todo o contexto apresentado, dos esforços e ações de representatividade da diplomacia empresarial e econômica realizada pelo Cecafé, entendemos que a colaboração conjunta foi de fundamental relevância para a histórica vitória alcançada ontem, 20 de novembro, a qual resultará em benefícios a todo o agronegócio café brasileiro e ao setor industrial cafeeiro e aos consumidores norte-americanos.
O Cecafé seguirá com sua missão de defender o setor exportador de café e, por consequência, os cafeicultores brasileiros diante dos desafios políticos, logísticos, tributários, regulatórios, climáticos, entre outros, exercendo seu papel institucional de ocupar os espaços de discussão e de negociação do interesse cafeeiro nacional."
Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA)
Já a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) celebrou a decisão do governo dos Estados Unidos de retirar todas as tarifas aplicadas aos cafés especiais importados do Brasil.
Segundo a BSCA, a retirada das tarifas corrige uma “distorção” criada entre o maior mercado consumidor de café do mundo, os EUA, e o maior produtor e exportador global, o Brasil.
Com o fim das cobranças extras, a expectativa é de que o fluxo normal de comércio seja restabelecido e que o mercado volte gradualmente ao patamar anterior.
Leia a nota na íntegra:
A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) celebra a retirada das tarifas totais – 10% da tarifa-base + 40% adicionais – aos cafés especiais do Brasil a serem importados pelos Estados Unidos, conforme Ordem Executiva assinada, ontem, 20 de novembro, pelo presidente americano Donald Trump.
Esta nova ordem corrige a distorção criada pelas tarifas entre o principal mercado comprador e consumidor de café, os EUA, e o principal produtor e exportador global, o Brasil.
A partir de agora, a tendência é que seja restabelecido o fluxo normal de comércio de cafés especiais entre as nações, que vinham sendo duramente impactadas pelas distorções criadas pelas tarifas.
Como exemplo, de agosto a outubro — os três meses de vigência do tarifaço —, os embarques de cafés especiais do Brasil aos EUA, o principal mercado importador desse produto nacional, caíram cerca de 55%, saindo de 412 mil sacas de 60 kg no mesmo período de 2024 para as atuais 190 mil sacas. Dessa maneira, a BSCA reitera a celebração da retirada do tarifaço sobre as exportações dos cafés especiais aos EUA e enaltece o trabalho realizado pela cadeia produtiva dos cafés do Brasil, por meio das Associações Brasileiras das Indústrias de Café (ABIC) e de Café Solúvel (ABICS), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e Conselho Nacional do Café (CNC), e, em especial, os esforços feitos por todo o staff do governo federal do Brasil, que tornou possível esse desfecho favorável.
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