Economia

Feijão carioca: cotações sobem mesmo com avanço da colheita

Agricultores estocam parte da terceira safra após gerarem caixa, o que eleva poder de negociação diante da procura ativa por grãos de qualidade

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24/08/2026 12:52 • Atualizado há 15 dias

Feijão carioca: cotações sobem mesmo com avanço da colheita

As cotações do feijão carioca registram movimento de alta no mercado brasileiro nos últimos dias, mesmo diante do avanço dos trabalhos de colheita da terceira safra nacional. O diagnóstico faz parte de levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que identifica a mudança de postura dos agricultores e o apetite dos compradores como os motores da sustentação dos preços.

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De acordo com os pesquisadores da instituição, muitos produtores rurais já comercializaram os volumes necessários para cobrir despesas de curto prazo e garantir fluxo de caixa. A partir desse equilíbrio financeiro, os agricultores optaram por armazenar parcelas estratégicas da produção.

Essa decisão retira volumes da circulação imediata e fortalece a posição dos vendedores nas mesas de negociação. Com menor oferta disponível para pronta entrega, quem está no campo consegue ditar o ritmo das tratativas e exigir valores mais elevados pelos lotes.

Do outro lado da cadeia produtiva, as empresas empacotadoras e os intermediários mantêm postura ativa nas principais praças do país. Representantes comerciais têm percorrido as lavouras para avaliar o desenvolvimento das áreas cultivadas e estimar o volume que ainda chegará ao mercado.

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Essa presença constante de compradores nas regiões produtoras evidencia a necessidade de recomposição de estoques no atacado e varejo. A busca contínua por matéria-prima impede que o avanço das colheitadeiras pressione as cotações para baixo.

A terceira temporada do grão, cultivada sob irrigação nos meses de inverno, desempenha papel estratégico no abastecimento doméstico. O ciclo é responsável por manter o fluxo de produto fresco nas prateleiras até o início da safra das águas, no fim do ano.

Os dados do Cepea indicam que a colheita atual tem perspectiva de volume superior à registrada no mesmo intervalo do ano anterior. Contudo, o aumento produtivo total não tem sido suficiente para conter a valorização dos lotes de primeira linha.

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A qualidade física e visual dos grãos tem atuado como fator determinante na formação dos preços. O feijão carioca de tonalidade clara, padronizado e livre de impurezas atrai o maior interesse comercial e recebe remuneração superior nas ofertas de compra.

O comportamento dos preços nas próximas semanas dependerá diretamente da velocidade de entrega dos agricultores e da conservação do grão armazenado. Enquanto os produtores mantiverem a retenção planejada de estoques, o mercado continuará favorável a quem vende.

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