
Número de drones em operação no Brasil saltou de cerca de 3 mil, em 2021, para 35 mil em 2025
Divulgação/MRCom
O céu sobre as plantações brasileiras nunca esteve tão movimentado. Em um intervalo de apenas quatro anos, o cenário da agricultura de precisão sofreu uma metamorfose drástica: o número de drones em operação saltou de 3 mil em 2021 para 35 mil em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura (MAPA). Esse crescimento superior a dez vezes não é apenas um fenômeno de adoção tecnológica, mas uma mudança de paradigma na eficiência operacional.
Por muito tempo, o uso de aeronaves remotamente pilotadas foi visto como experimental. Hoje, estudos da Embrapa consolidam o que produtores já percebem na prática: o desempenho dos drones é equivalente — e em alguns pontos superior — à pulverização tradicional.
O segredo reside na física do voo. O fluxo de ar gerado pelos rotores (o downwash) força a penetração das gotas no dossel das plantas.
Pesquisas indicam que a deposição de insumos no terço inferior das plantas pode ser até 1,9 vez maior do que nos métodos terrestres. Diferente dos tratores, os drones eliminam o "amassamento" das culturas, um problema que gera perdas de até 7% na soja e 4,8% no arroz. A tecnologia permite uma redução drástica no volume de calda e no consumo de água, além de maior segurança para o operador, que se mantém distante da exposição direta aos produtos químicos.
O Ecossistema da Gigante DJI
No centro dessa expansão global está a DJI Agriculture. A divisão da gigante chinesa fechou 2024 com cerca de 400 mil drones agrícolas operando mundialmente — um salto de 90% em relação a 2020. A marca se destaca pela integração vertical entre hardware robusto e softwares de inteligência, utilizando sensores RTK para precisão centimétrica.
No Brasil, essa tecnologia ganha capilaridade através de parceiros estratégicos. A DronePro, fundada em 2016, tornou-se a maior importadora do país, detendo 21,1% do mercado nacional em 2025. "O drone deixou de ser experimental para se tornar uma ferramenta consolidada, especialmente onde a mecanização tradicional enfrenta limitações", afirma Marcus Lawder, diretor comercial da DronePro.
O desafio geográfico
Se no Centro-Oeste os drones complementam a frota, na região Norte eles são, muitas vezes, a única solução viável. Em estados como o Pará, o relevo irregular e as janelas climáticas curtas (devido à alta pluviosidade) dificultam o uso de máquinas pesadas.
A DronePro estabeleceu em Marabá um centro de distribuição que atende culturas variadas, desde o açaí e cacau até grandes áreas de pastagem. Nessas áreas "quebradas", a pulverização aérea de precisão resolve gargalos logísticos que antes limitavam a produtividade local.
Ciência e campo
A consolidação do setor não depende apenas da venda de equipamentos, mas da formação de conhecimento. A integração com instituições como a UFPA e a Universidade do Estado do Tocantins visa criar uma base científica para as práticas de aplicação.
À medida que modelos como os da linha Agras evoluem para carregar volumes maiores e realizar operações complexas, como o içamento de cargas em áreas remotas, o Brasil se posiciona como um laboratório vivo da agricultura 4.0. O que começou como uma promessa tecnológica em 2016, hoje é o motor que garante eficiência e sustentabilidade em um dos setores mais competitivos da economia global.
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