Resumo
Adoção dos drones agrícolas no Brasil promove substituição de maquinários pesados, aumenta eficiência nas operações e reduz consumo de recursos naturais, especialmente em Goiás, onde produtores investem na tecnologia por incentivo da nova geração.
Modernização das práticas rurais envolve famílias como a de Mauro Passos, que trocou o trator pelo drone após orientação do filho estudante de agronomia, responsável atualmente pelo manejo e aplicação dos insumos nas lavouras.
Uso dos drones garante pulverização rápida de grandes áreas, diminui o amassamento das plantas em até 90%, economiza água e facilita o transporte entre propriedades, exigindo, porém, regulamentação e capacitação profissional para operação segura e eficiente.
A tecnologia dos drones agrícolas está transformando práticas tradicionais no campo brasileiro e ganhando espaço definitivo entre produtores rurais que buscam maior eficiência e sustentabilidade. Em Goiás, o uso dessas aeronaves remotamente pilotadas para a aplicação de fertilizantes e defensivos substitui maquinários pesados, garante agilidade na operação e promove uma economia significativa de recursos naturais na lavoura.
A mudança de comportamento no campo passa pela sucessão familiar. É o caso do produtor Mauro Passos, que decidiu aposentar sua antiga máquina de pulverização, equipamento fundamental durante décadas, após incentivo da nova geração. Os drones chegaram à propriedade por meio de seu filho. Futuro agrônomo, ele convenceu o pai há dois anos a investir na tecnologia aérea. Hoje, é o próprio estudante quem pilota o equipamento e gerencia a aplicação dos insumos.
Eficiência e velocidade na operação
A principal vantagem observada na prática é o ganho de tempo, fator crucial no agronegócio para aproveitar as janelas climáticas ideais de aplicação. O drone sobrevoa a plantação a uma velocidade média de 36 quilômetros por hora. Dependendo da altura do voo, o equipamento atinge um raio de cobertura de até 11 metros. Com essa capacidade técnica, é possível pulverizar mais de 100 hectares em apenas cinco horas de trabalho.
Para efeito de comparação, uma máquina terrestre convencional levaria, no mínimo, 12 horas para cobrir a mesma área. Samir destaca a discrepância na produtividade. "Com uma máquina comum, esse trabalho leva pelo menos 12 horas", conta Samir Dittar Passos.
Redução do amassamento e prejuízos
Além da velocidade, a tecnologia resolve um problema antigo do manejo com tratores: o amassamento da lavoura. Quando máquinas pesadas entram nas plantações para aplicar produtos, os pneus acabam esmagando parte das plantas, o que gera perda produtiva.
Segundo Samir, o prejuízo causado pelo trator gira em torno de 3% a 5% da produção total devido ao amassamento. Com o uso do drone, que não toca o solo durante a aplicação, esse impacto negativo é reduzido em até 90% na comparação com o método tradicional.
Sustentabilidade e economia hídrica
O uso racional da água é outro pilar da agricultura de precisão trazida pelos drones. A tecnologia permite uma aplicação mais direcionada e com menor volume de calda (mistura de água e defensivo), sem perder a eficácia no combate às pragas ou na nutrição das plantas. "A gente tem muitos benefícios, como a sustentabilidade. Hoje a gente tem uma economia muito grande em relação à água", afirma Samir.
A mobilidade do equipamento também se mostra superior à dos maquinários pesados. O transporte de tratores e pulverizadores entre propriedades distantes exige logística complexa e caminhões-prancha. Já o drone oferece portabilidade. A família relata que consegue levar o equipamento para outra fazenda, localizada a 300 quilômetros de distância, e realizar o trajeto em apenas três horas. Essa agilidade logística seria inviável com as máquinas antigas.
Tradição aliada à inovação
A fazenda da família em Goiás mantém viva a história da agricultura, preservando relíquias como uma matraca usada para plantar milho na década de 1970. No entanto, o produtor Mauro reconhece os avanços trazidos pela modernização. "Da nova máquina que tem na fazenda agora, já estou mais acostumado, mas foi bom demais, não é?", celebra o produtor.
Apesar das facilidades, a operação exige responsabilidade. O uso de drones agrícolas no Brasil requer regulamentação e cursos específicos para a pilotagem. Samir alerta que a profissionalização é indispensável para garantir a segurança e a eficiência do trabalho. "O drone não é um brinquedo", conclui o jovem, ressaltando que a ferramenta tem a mesma importância produtiva que os tratores tiveram para as gerações passadas.
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