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Fruta amazônica camu-camu tem 100 vezes mais vitamina C que a laranja

Espécie nativa supera a acerola em concentração de nutrientes, segundo dados da Embrapa. Saiba por que ela é considerada a campeã mundial de ácido ascórbico

Da redação
DA REDAÇÃO

20/12/2025 • 21:59 • Atualizado em 20/12/2025 • 21:59

Camu-camu é a fruta campeã em vitamina C

Camu-camu é a fruta campeã em vitamina C

Divulgação/Fapeam

Resumo

Fruta Camu-camu, nativa da Amazônia, destaca-se como maior fonte de vitamina C no Brasil, com concentração de até 6.000 mg por 100g de polpa, superando laranja e acerola, segundo dados da Embrapa e Fapesp.

Comparativo nutricional evidencia a supremacia do Camu-camu sobre a laranja, que possui apenas 53 mg de vitamina C por 100g, e sobre a acerola, cuja média de mercado é de 1.600 mg, embora variedades específicas alcancem até 5.000 mg.

Barreira de acesso limita o consumo do Camu-camu ao Norte do país, sendo encontrado nas demais regiões apenas em formas processadas, enquanto a acerola permanece como alternativa viável para consumo in natura; especialistas recomendam consumo imediato para preservar o teor vitamínico devido à instabilidade da vitamina C.

Quando se fala em vitamina C, a imagem que vem à mente da maioria dos brasileiros é a da laranja ou do limão. No entanto, o verdadeiro "ouro" nutricional está escondido na floresta amazônica. O Camu-camu (Myrciaria dubia), uma fruta nativa da região Norte, detém o título de maior concentração de ácido ascórbico entre as frutas conhecidas no Brasil, superando em até 100 vezes os cítricos tradicionais.

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Segundo levantamentos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e estudos de pesquisadores da Fapesp, o teor de vitamina C no Camu-camu é impressionante. A concentração pode variar de 2.500 mg a 6.000 mg para cada 100g de polpa. Essa variação depende diretamente do grau de maturação do fruto e da variedade cultivada.

Para o consumidor, esses números representam uma potência imunológica inigualável. Para o produtor rural da Amazônia, a fruta se consolida como um ativo de alto valor agregado, especialmente para a indústria farmacêutica e de suplementos.

O comparativo com a laranja e a acerola

A supremacia do Camu-camu fica evidente quando colocada lado a lado com as frutas mais presentes na mesa do brasileiro. A laranja, frequentemente citada como referência popular para gripes e resfriados, possui em média apenas 53 mg de vitamina C por 100g, conforme dados da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), da Unicamp.

Já a acerola (Malpighia emarginata), que ocupa a posição de vice-líder, é a competidora mais próxima. Variedades melhoradas geneticamente pela Embrapa, como a Acerola Cabocla, podem atingir picos de 4.600 mg a 5.000 mg por 100g.

Contudo, a média de mercado da acerola gira em torno de 1.600 mg. Ou seja, mesmo em seus melhores cenários, a acerola ainda costuma ficar atrás do potencial máximo do fruto amazônico.

Acessibilidade: o desafio do Camu-camu

Apesar da superioridade nutricional, existe uma barreira logística e de mercado. Enquanto a acerola é facilmente cultivada em quintais e encontrada em feiras de todo o país, o Camu-camu ainda é um produto de difícil acesso para quem vive fora da região Norte.

Geralmente, o consumidor do Sul e Sudeste encontra o fruto apenas processado, na forma de polpa congelada ou pó desidratado em lojas de produtos naturais. A acerola, portanto, permanece como a fonte de "superdose" de vitamina C mais viável para o consumo in natura (fruta fresca) no dia a dia das famílias brasileiras.

Cuidados no consumo e conservação

Especialistas da Embrapa alertam para um detalhe crucial no aproveitamento desses nutrientes: a volatilidade da vitamina C. O ácido ascórbico é uma molécula instável que se degrada facilmente na presença de luz, oxigênio e, principalmente, calor.

Isso significa que processar o Camu-camu ou a acerola em altas temperaturas, ou deixar o suco exposto por muito tempo, reduz drasticamente o teor vitamínico.

Para garantir a absorção ideal, a recomendação é consumir a fruta fresca ou a polpa imediatamente após o preparo. No caso do Camu-camu, que possui um sabor extremamente ácido e adstringente, o uso culinário costuma ser diluído em sucos, sorvetes ou como ingrediente funcional em receitas que não vão ao fogo.

No cenário global, a única fruta que compete com a brasileira é a Ameixa de Kakadu, nativa da Austrália. Porém, considerando a biodiversidade acessível ao agronegócio nacional, o Camu-camu reina absoluto.