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Geada Negra, que atingiu o Paraná há 50 anos, mudou os rumos da agricultura

Cafezais da região norte do estado foram devastados após o fenômeno e obrigou agricultores a migrarem para outras regiões

Por Redação
REDAÇÃO

18/07/2025 • 13:59 • Atualizado em 18/07/2025 • 13:59

A história do agronegócio brasileiro é marcada por um intenso fluxo de migrantes que, sem mais condições de cultivarem lavouras nos estados da região sul , por falta de terras ou a valorização das mesmas, apostaram nas regiões centro-oeste e nordeste para produzir alimentos. Um episódio trágico, porém, foi um dos motivos que fizeram muitos produtores rurais que plantavam café na região norte do Paraná irem para outras regiões plantar soja e milho, a geada negra de 1975.

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Em 18 de julho de 1975, uma geada negra atingiu os cafezais paranaenses e marcou o fim do ciclo do café na região. As lavouras de café eram um dos elos mais fortes da economia para o estado e, do dia para a noite, tudo estava destruído. Milhares de pés de cafés ficaram queimados por causa da geada negra.

Londrina, na região norte do Paraná, era até então conhecida como ‘a capital mundial da cafeicultura’. Após a geada, endividados e desempregados, os agricultores paranaenses migraram para a outras regiões do Brasil em busca de outras terras para plantar. Foi esse movimento que incentivou os migrantes a apostarem no plantio de soja e milho nas regiões centro-oeste e nordeste, como o Oeste da Bahia. Segundo o governo do estado do Paraná, cerca de 2,6 milhões de produtores rurais migraram para outras regiões do Brasil.

Do café para os grãos

No Paraná, onde antes se cultivava café, as terras foram também tomadas por soja e milho, mas também pela horticultura como ativo comercial. A região, com o passar dos anos, se modernizou e desenvolveu uma importante cadeia para o setor de proteínas animais, especifialmente nas áreas da avicultura e suinocultura.

“A diversificação das culturas foi um fato importante que presenciei”, disse Eugênio Stefanelo, que naquele período era o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab). Mais tarde, em 1981, ele viria a assumir como secretário. A diversificação continuou contando com cafeicultores que até hoje mantém a produção, principalmente de cafés especiais.

Stefanelo lembra que na tarde de 17 de julho de 1975 o governador Jaime Canet Junior telefonou para o secretário da Agricultura Paulo Carneiro pedindo que todos os servidores do Deral ficassem de prontidão, pois já se previa um frio mais intenso. Por volta das 21 horas, o governador questionou o próprio Stefanelo. “Lamento dizer, mas acredito que pela marcha da temperatura os cafezais terão um grande baque”, respondeu.

O prognóstico se confirmou na manhã do dia 18, com estimativa de que pelo menos 60% dos cafezais que cobriam 1,8 milhão de hectares foram destruídos. Era o fim de um ciclo econômico do Estado. O Paraná tinha conquistado no início da década de 1960 a liderança de produção de café, ultrapassando São Paulo, com cerca de 21,3 milhões de sacas, representando 64% do volume nacional.

Em 1975 foram retirados 10,2 milhões de sacas, o que correspondia a quase 50% da produção nacional. Imediatamente depois da geada de 1975 o Estado ainda manteve participação importante na produção, chegando a representar mais de 20% da safra nacional no final da década de 1980, porém nunca mais liderou. Já na década de 1990 a participação média foi de menos de 10%, baixando para menos de 5% nos anos 2000 e menos de 3% nos anos 2010.

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