
A produção de laranja no Brasil está ameaçada pelo avanço do Greening, doença que não tem cura
Embrapa
A citricultura brasileira enfrenta um momento delicado com o avanço do greening (HLB), que deve reduzir a safra 2026/27 de laranja em 12,9% no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. Segundo estimativa do Fundecitrus divulgada nesta quinta-feira (28), a produção deve atingir 255,20 milhões de caixas, volume significativamente inferior aos 292,94 milhões da safra anterior.
O greening é uma doença causada por uma bactéria e transmitida pelo inseto psilídeo Diaphorina citri, que compromete a produtividade, a qualidade do suco e a longevidade das árvores. Atualmente, a incidência de plantas com sintomas no principal cinturão produtor do país já alcança 47,6%, um patamar considerado alarmante por especialistas do setor.
Impactos no cinturão citrícola
A combinação de adversidades climáticas com a pressão crescente da doença tem agravado o cenário no campo. Juliano Ayres, diretor-executivo do Fundecitrus, explica que o cenário exige rigor extremo no manejo e monitoramento contínuo, uma vez que a enfermidade afeta diretamente o pegamento e a queda de frutos.
O consultor Gilberto Tozatti ressalta que a severidade média da doença chega a 22,7%. Para o especialista, o problema compromete a competitividade da cadeia nacional, já que o greening reduz o rendimento industrial da fruta. O consultor Hamilton Rocha lembra que, desde a detecção em 2004, a doença se espalhou para Estados como Minas Gerais e Paraná.
A queda prematura de frutos, um dos principais gargalos financeiros do produtor, tem relação direta com o HLB em mais de 50% dos casos. André Luis Teixeira Creste, engenheiro agrônomo, classifica a situação como crítica, destacando que em algumas regiões o índice de plantas doentes supera os 70%.
Novas tecnologias de controle
Diante da ausência de uma cura definitiva, o setor busca inovações para mitigar os danos. Durante a Expocitros 2026, foi apresentada uma tecnologia de aplicação localizada diretamente no tronco das plantas, o sistema TreciseR. A solução permite administrar bactericidas como a oxitetraciclina de forma precisa no sistema vascular da árvore.
Essa metodologia de precisão permite reduzir em até 90% a dose de defensivos aplicada quando comparada aos métodos tradicionais. Segundo a empresa desenvolvedora, Invaio Sciences, o sistema minimiza a exposição de trabalhadores e os impactos ambientais. Testes preliminares indicam um ganho de produtividade de até 35% em plantas com nível moderado da doença.
Para o produtor rural Tiago Davoglio, o uso de novas ferramentas é essencial para a manutenção dos pomares "da porteira para dentro". Ele avalia que, embora o controle do inseto vetor continue sendo o "tripé" do manejo, o ataque direto à bactéria dentro da planta representa uma mudança estratégica necessária para o futuro da laranja no Brasil.
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