
REUTERS/Sergey
Resumo
Queda nas importações de trigo registrou em fevereiro o menor volume para o mês em 18 anos, com acumulado de 12 meses no patamar mais baixo desde setembro de 2024, segundo o Cepea.
Influência da valorização do dólar e de conflitos no Oriente Médio impulsionou a alta nos preços do trigo nacional, com vendedores domésticos solicitando valores maiores e cotações internacionais pressionadas.
Cenário para moagem e panificação aponta maior dependência do trigo interno e estabilidade nas negociações, com empresas monitorando o dólar como principal fator para decisões de importação.
As importações brasileiras de trigo registraram uma queda expressiva nos últimos meses, atingindo, em fevereiro, o menor volume para o mês em 18 anos. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o acumulado dos últimos 12 meses também apresenta o patamar mais baixo desde o período encerrado em setembro de 2024.
Essa retração no fluxo de entrada do cereal estrangeiro ocorre em um cenário de estoques mais ajustados nos moinhos brasileiros. Pesquisadores do Cepea indicam que essa combinação deve manter o ritmo de compras externas lento nos próximos meses, o que favorece diretamente o aumento da liquidez no mercado interno.
Impacto do dólar e conflitos internacionais
A dinâmica de preços no Brasil tem sido influenciada tanto por fatores cambiais quanto por instabilidades geopolíticas. De acordo com a análise do instituto, a valorização do dólar frente ao real na última semana incentivou os vendedores domésticos a solicitarem preços mais altos pelo produto nacional.
Além da questão cambial, os agentes do mercado de trigo acompanham de perto os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio. A repercussão dessas tensões no mercado internacional contribuiu para a elevação das cotações futuras da commodity, pressionando ainda mais os valores no cenário global.
O que esperar para os próximos meses
Para o setor de moagem e panificação, o cenário aponta para uma dependência maior do trigo produzido internamente, dado o custo elevado da importação potencializado pela moeda americana. O termo "liquidez", frequentemente usado no setor, refere-se à facilidade com que o produto é negociado entre produtores e moinhos sem grandes perdas de valor.
Com estoques domésticos equilibrados, a tendência é que o mercado nacional mantenha um ritmo de negociações estável, monitorando o comportamento do dólar, que continua sendo o principal balizador para as decisões de importação das empresas brasileiras.
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