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Importações de trigo atingem o menor patamar em 18 anos e aquecem o mercado

Volume de compras externas em fevereiro é o mais baixo para o mês desde 2008; valorização do dólar e estoques ajustados favorecem liquidez nacional

Da redação
DA REDAÇÃO

10/03/2026 • 10:29 • Atualizado em 10/03/2026 • 10:29

REUTERS/Sergey

Resumo

Queda nas importações de trigo registrou em fevereiro o menor volume para o mês em 18 anos, com acumulado de 12 meses no patamar mais baixo desde setembro de 2024, segundo o Cepea.

Influência da valorização do dólar e de conflitos no Oriente Médio impulsionou a alta nos preços do trigo nacional, com vendedores domésticos solicitando valores maiores e cotações internacionais pressionadas.

Cenário para moagem e panificação aponta maior dependência do trigo interno e estabilidade nas negociações, com empresas monitorando o dólar como principal fator para decisões de importação.

As importações brasileiras de trigo registraram uma queda expressiva nos últimos meses, atingindo, em fevereiro, o menor volume para o mês em 18 anos. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o acumulado dos últimos 12 meses também apresenta o patamar mais baixo desde o período encerrado em setembro de 2024.

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Essa retração no fluxo de entrada do cereal estrangeiro ocorre em um cenário de estoques mais ajustados nos moinhos brasileiros. Pesquisadores do Cepea indicam que essa combinação deve manter o ritmo de compras externas lento nos próximos meses, o que favorece diretamente o aumento da liquidez no mercado interno.

Impacto do dólar e conflitos internacionais

A dinâmica de preços no Brasil tem sido influenciada tanto por fatores cambiais quanto por instabilidades geopolíticas. De acordo com a análise do instituto, a valorização do dólar frente ao real na última semana incentivou os vendedores domésticos a solicitarem preços mais altos pelo produto nacional.

Além da questão cambial, os agentes do mercado de trigo acompanham de perto os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio. A repercussão dessas tensões no mercado internacional contribuiu para a elevação das cotações futuras da commodity, pressionando ainda mais os valores no cenário global.

O que esperar para os próximos meses

Para o setor de moagem e panificação, o cenário aponta para uma dependência maior do trigo produzido internamente, dado o custo elevado da importação potencializado pela moeda americana. O termo "liquidez", frequentemente usado no setor, refere-se à facilidade com que o produto é negociado entre produtores e moinhos sem grandes perdas de valor.

Com estoques domésticos equilibrados, a tendência é que o mercado nacional mantenha um ritmo de negociações estável, monitorando o comportamento do dólar, que continua sendo o principal balizador para as decisões de importação das empresas brasileiras.