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Inteligência Artificial diz que vírus da gripe aviária estão driblando os anticorpos humanos

De acordo com pesquisadores norte-americanos, IA mostrou que os anticorpos humanos estão ficando fracos para combater a doença

Por Redação
REDAÇÃO

23/06/2025 • 11:22 • Atualizado em 23/06/2025 • 11:22

Exame de ave selvagem migratória com gripe aviária

Exame de ave selvagem migratória com gripe aviária

Elaine Rosa/UFMT

Resumo

Pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte (UNCC) estão usando a Inteligência Artificial para estudar como os vírus da família H5N1, causador da gripe aviária, estão agindo no organismo dos humanos. E a notícia não é boa: a IA mostrou que as ligações das proteínas virais com os anticorpos humanos estão ficando fracas.

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De acordo com a Sociedade Americana de Microbiologia, as versões mais recentes do vírus melhoraram sua capacidade de escapar das defesas naturais do sistema imunológico humano. “O vírus certamente sofreu uma mutação diferente da que víamos há uma década”, disse o biólogo computacional da UNCC, Colby T. Ford, Ph.D. “Eles nem parecem os mesmos”.

Essas adaptações, segundo ele, aumentam o potencial pandêmico do vírus, e vacinas desenvolvidas há 10 anos podem não ser eficazes contra cepas atuais do vírus. “Isso é, potencialmente, péssimo”.

Ford apresentou as descobertas na ASM Microbe 2025 , que é uma importante reunião anual da Sociedade Americana de Microbiologia, em Los Angeles. Os pesquisadores coletaram dados sobre mais de 1.800 proteínas do H5N1 e utilizaram o AlphaFold 3, um sistema de dobramento de proteínas com inteligência artificial, para prever as estruturas complexas das proteínas virais. Em seguida, usando sistemas de modelagem baseados em física, testaram a eficácia da ligação de 11 anticorpos imunes (coletados de pessoas e camundongos) às proteínas. Melhores ligações significam melhor proteção, ressalta Ford, mas a análise revelou que, ao longo dos anos, a ligação vem se enfraquecendo.

O grupo também tem utilizado conjuntos de dados focados no H5N1 para conectar melhor os grupos ancestrais do vírus a canais de transmissão. “Podemos observar que existem clados (grupo de organismos que inclui um ancestral comum e todos os seus descendentes) com trajetórias de transmissão distintas entre hospedeiros”, comenta Ford.

Durante o estudo, os pesquisadores conectaram a morte de uma pessoa na Louisiana (EUA) por H5N1 a um clado que pode passar diretamente de ave para humano, sem precisar passar por outro animal. Essas análises mostram como o vírus está encontrando estratégias para escapar do sistema imunológico, mas também mostram como a IA e a modelagem computacional podem ajudar os pesquisadores a rastrearem a evolução do vírus e, potencialmente, a desenvolver anticorpos mais eficazes.

O grupo descreveu uma abordagem que utiliza informações moleculares de cepas novas e emergentes para desenvolver tratamentos eficazes e direcionados. “Podemos começar a gerar novas terapias com base nessas cepas? A resposta é sim, e podemos fazer isso rapidamente com o pipeline de IA que construímos”, ressaltou Ford.

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