
Plantio Direto: sistema revolucionou o agro brasileiro
Divulgação/AprosojaMT
Resumo
Importância e Impacto do Plantio Direto: Celebrado em 23 de setembro, o Dia Nacional do Plantio Direto destaca uma técnica agrícola revolucionária originada no Brasil nos anos 1970. Essa prática, além de aumentar a produtividade das lavouras, protege os solos e permite a agricultura em áreas antes consideradas improdutivas. Atualmente, o Brasil, que necessitava importar alimentos, é um dos maiores produtores e exportadores globais, com uma safra de 355 milhões de toneladas.
Técnica e Benefícios do Plantio Direto: O plantio direto evita a aração e a gradagem, usando mínima mobilização do solo, cobertura permanente e rotação de culturas. Isso melhora a qualidade do solo, água e ar, e mantém a umidade do solo através de uma camada contínua de palha. A técnica, elogiada por sua eficiência energética e sustentabilidade, foi institucionalizada no Brasil com o Dia Nacional do Plantio Direto estabelecido pela Lei 14.609/23.
Origem e Disseminação do Plantio Direto: Introduzido no Brasil em 1972 por Herbert Bartz, que aprendeu a técnica nos EUA, o plantio direto rapidamente ganhou popularidade entre os agricultores brasileiros. A técnica, que inicialmente enfrentou ceticismo, provou sua eficácia e levou à formação de associações e a um aumento significativo na área cultivada sob este sistema, alcançando cerca de 115 milhões de hectares em 2023.
O Dia Nacional do Plantio Direto é celebrado nesta quinta-feira (23). No entanto, esta técnica agrícola é tão importante que sempre é citada mundo afora pela forma como foi desenvolvida e aplicada no Brasil, transformando o país e o agronegócio desde os anos 1970. Além de ter permitido a produção de alimentos em áreas que antes eram improdutivas, cientistas já comprovaram que a técnica também aumenta a produtividade das lavouras com proteção de solos.
O Brasil, até o início dos anos 1970 era um país que precisa importar alimentos para atender a demanda da população. A produção agrícola girava em torno de 40 milhões de toneladas e cerca de 30 milhões de hectares eram cultivados. Com a introdução da técnica plantio direto, a produção nacional começou a migrar, das regiões Sul e Sudeste, para a Centro-oeste e, com isso, a produção de alimentos aumentou. Hoje, o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, com uma safra de 355 milhões de toneladas.
O Dia Nacional do Plantio Direto foi instituído no ano passado por meio da Lei 14.609/23. E, em 2025, o sistema completa 25 anos.
Saiba o que é o Plantio Direto, técnica brasileira de produzir
O plantio direto é um método de manejo conservacionista de solos em áreas tropicais que não utiliza aração ou gradagem, baseando-se em três pilares: mínimo revolvimento do solo, cobertura permanente com palha e restos de lavouras, e rotação de culturas. Essa técnica visa aumentar a produtividade enquanto conserva ou melhora a qualidade do solo, água e ar.
“O Sistema Plantio Direto consolidou-se, nas últimas décadas, como uma das mais importantes inovações agronômicas para a sustentabilidade da agricultura tropical. Muito além de uma técnica de semeadura sobre a palha, o SPD é um sistema integrado de manejo que transforma o solo em um ativo produtivo de longo prazo, combinando ganhos econômicos, ecológicos e sociais. Seu princípio é simples: minimizar a mobilização do solo, manter cobertura permanente e diversificar espécies cultivadas, garantindo estabilidade ecológica e eficiência produtiva”, afirma o pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Afonso Peche Filho.
O plantio das sementes é realizado diretamente sobre a palhada que está no solo. A máquina semeia fazendo um pequeno sulco apenas no local determinado pelo agricultor, sem revolver ou mobilizar o solo em toda a área.
O solo deve estar sempre coberto por uma camada de palha, que são restos da cultura anterior plantada no local e ou plantas em desenvolvimento. Essa cobertura protege o solo contra erosão, mantém a umidade, controla a temperatura e fornece matéria orgânica para fertilizar o solo. “A palhada e os resíduos vegetais formam um escudo ecológico que regula temperatura, reduz evaporação, melhora a infiltração da água e estimula a biota edáfica. Com o tempo, esse manejo cria uma estrutura estável, rica em poros e agregados biogênicos, que atua como infraestrutura natural de alta eficiência energética”, completa Peche.
Segundo ele, a cobertura vegetal age como sistema de amortecimento hidrológico: infiltra o excedente hídrico, filtra sedimentos e mantém a umidade do microclima do solo. Assim, o sistema reduz o estresse hídrico quanto o impacto das precipitações concentradas, fenômenos cada vez mais frequentes em regiões tropicais.
Técnica criada por um agricultor
O Plantio Direto foi introduzido no Brasil pelo agricultor Herbert Bartz, do Paraná. Visionário, implantou em sua fazenda, no ano de 1972, um sistema de plantio que subvertia completamente a lógica que os produtores brasileiros estavam acostumados, a de sempre fazer a aração e gradagem do solo, antes de cada plantio. Ao contrário disso, apostou na cultura de forma direta, mantendo uma cobertura “morta” e sem esse revolvimento de terra. Ele aprendeu a técnica ao visitar um agricultor nos Estados Unidos e conheceu a “No Tillage”.
Em 1972, após importar uma máquina semelhante á que o agricultor americano usava, ele implantou a técnica no Brasil e passou a chama-la de Plantio Direto.
Bartz, primeiro chamado de maluco, obteve uma alta produtividade, atraindo interesse de outros agricultores, como Franke Djkistra e Nonô Pereira, que passaram a trocar experiências, disseminar as técnicas e formaram o Clube Amigos da Terra.
Em pouco tempo, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (embrapa) também enviou pesquisadores para a fazenda para entender o sistema, que foi ganhando cada vez mais popularidade no Brasil. Em 1992 verificou-se o maior salto do plantio direto, com a criação, inclusive, da Federação Brasileira do Plantio Direto na Palha e da Associação do Plantio Direto no Cerrado.
Plantio Direto no Brasil
O avanço da área com plantio direto no Brasil cresceu, em média, 11% ao ano entre 1993 e 2023. Atualmente, estima-se que em torno de 115 milhões de hectares de lavouras sejam cultivadas sob este sistema no Brasil.
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