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Preço do etanol cai em SP com início de safra e maior oferta de milho

Indicadores do Cepea registram recuo de até 7,43% no mercado paulista; anidro volta a operar abaixo de R$ 3 por litro após oito meses

Da redação
DA REDAÇÃO

22/04/2026 • 11:24 • Atualizado em 22/04/2026 • 11:24

Etanol produzido a partir do milho ajuda o setor a segurar preços para o consumidor

Etanol produzido a partir do milho ajuda o setor a segurar preços para o consumidor

Reprodução/Agro+

Os preços do etanol hidratado e anidro registraram uma queda acentuada no mercado spot do estado de São Paulo durante a última semana. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o recuo nos indicadores foi impulsionado pelo início da safra de cana-de-açúcar na região centro-sul, o início das operações de novas usinas e pela retração das distribuidoras.

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Entre os dias 13 e 17 de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado — utilizado diretamente nos tanques dos veículos — fechou em R$ 2,5920 por litro. O valor representa uma desvalorização de 7,01% em comparação à semana anterior. Já o etanol anidro, que é misturado à gasolina, teve queda de 7,43%, sendo negociado a R$ 2,9575 por litro.

Esta é a primeira vez, desde agosto de 2023, que o combustível anidro rompe a barreira dos R$ 3,00 para baixo. O movimento reflete uma mudança na dinâmica entre oferta e demanda no setor sucroenergético paulista neste início de ciclo produtivo.

Segundo a análise dos pesquisadores do Cepea, o mercado operou sob pressão nos últimos dias. Embora o ritmo de negócios tenha apresentado uma leve melhora, o volume de transações ainda é considerado baixo e fragmentado, com vendas "picadas" predominando no setor.

As distribuidoras de combustíveis têm adotado uma estratégia de cautela, postergando a reposição de seus estoques ao máximo. Esse comportamento dos compradores força o setor produtivo a uma postura mais agressiva na venda. Com novas usinas iniciando a moagem da safra 2026/27, a oferta de produto disponível cresceu rapidamente.

O mercado spot, termo técnico para negociações com entrega imediata e pagamento à vista, acaba sentindo primeiro esse excesso de oferta. Para as usinas, a necessidade de dar vazão ao volume produzido no início da safra é o principal fator para a redução dos preços nas usinas.

Impacto do milho e incertezas externas

Além da produção tradicional de cana-de-açúcar, os especialistas apontam que o aumento da oferta de etanol de milho é um fator determinante para o cenário atual. O grão tem ganhado espaço como matéria-prima para o combustível, garantindo produção mesmo em períodos que seriam de entressafra da cana.

Os agentes do mercado doméstico demonstram apreensão com o cenário macroeconômico. Há incertezas quanto às cotações internacionais do açúcar, que competem pela matéria-prima nas usinas brasileiras (o chamado "mix de produção"). Se o açúcar valoriza no exterior, as usinas produzem menos etanol, o que poderia frear a queda de preços no futuro.

A expectativa para as próximas semanas depende da velocidade com que as distribuidoras retornarão ao mercado para recompor estoques e do fôlego das cotações internacionais das commodities, que seguem influenciando o planejamento estratégico das unidades produtoras em São Paulo.