
Etanol produzido a partir do milho ajuda o setor a segurar preços para o consumidor
Reprodução/Agro+
Os preços do etanol hidratado e anidro registraram uma queda acentuada no mercado spot do estado de São Paulo durante a última semana. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o recuo nos indicadores foi impulsionado pelo início da safra de cana-de-açúcar na região centro-sul, o início das operações de novas usinas e pela retração das distribuidoras.
Entre os dias 13 e 17 de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado — utilizado diretamente nos tanques dos veículos — fechou em R$ 2,5920 por litro. O valor representa uma desvalorização de 7,01% em comparação à semana anterior. Já o etanol anidro, que é misturado à gasolina, teve queda de 7,43%, sendo negociado a R$ 2,9575 por litro.
Esta é a primeira vez, desde agosto de 2023, que o combustível anidro rompe a barreira dos R$ 3,00 para baixo. O movimento reflete uma mudança na dinâmica entre oferta e demanda no setor sucroenergético paulista neste início de ciclo produtivo.
Segundo a análise dos pesquisadores do Cepea, o mercado operou sob pressão nos últimos dias. Embora o ritmo de negócios tenha apresentado uma leve melhora, o volume de transações ainda é considerado baixo e fragmentado, com vendas "picadas" predominando no setor.
As distribuidoras de combustíveis têm adotado uma estratégia de cautela, postergando a reposição de seus estoques ao máximo. Esse comportamento dos compradores força o setor produtivo a uma postura mais agressiva na venda. Com novas usinas iniciando a moagem da safra 2026/27, a oferta de produto disponível cresceu rapidamente.
O mercado spot, termo técnico para negociações com entrega imediata e pagamento à vista, acaba sentindo primeiro esse excesso de oferta. Para as usinas, a necessidade de dar vazão ao volume produzido no início da safra é o principal fator para a redução dos preços nas usinas.
Impacto do milho e incertezas externas
Além da produção tradicional de cana-de-açúcar, os especialistas apontam que o aumento da oferta de etanol de milho é um fator determinante para o cenário atual. O grão tem ganhado espaço como matéria-prima para o combustível, garantindo produção mesmo em períodos que seriam de entressafra da cana.
Os agentes do mercado doméstico demonstram apreensão com o cenário macroeconômico. Há incertezas quanto às cotações internacionais do açúcar, que competem pela matéria-prima nas usinas brasileiras (o chamado "mix de produção"). Se o açúcar valoriza no exterior, as usinas produzem menos etanol, o que poderia frear a queda de preços no futuro.
A expectativa para as próximas semanas depende da velocidade com que as distribuidoras retornarão ao mercado para recompor estoques e do fôlego das cotações internacionais das commodities, que seguem influenciando o planejamento estratégico das unidades produtoras em São Paulo.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

