
Feijão carioca é a variedade mais consumida no Brasil e está ficando mais cara
Sebastião de Araújo/Embrapa
O preço do feijão, que vinha caindo no começo do mês com o início da colheita, registrou novas altas no decorrer de junho devido à alta demanda, principalmente por grãos de melhor qualidade. De acordo com dados coletados pelo Centro de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Cepea), o reequilíbrio entre a oferta e a demanda impulsionou os valores pagos aos produtores tanto para o feijão carioca quanto para o feijão preto, mesmo diante do avanço da colheita paranaense.
O avanço nos trabalhos de campo da segunda safra ampliou a disponibilidade do produto no mercado atacadista nacional na primeira quinzena de junho. Essa entrada de novos volumes concentrou-se de forma expressiva no estado do Paraná, que desponta como uma das principais regiões produtoras do país.
Durante os primeiros quinze dias do mês, o aumento repentino do volume de mercadoria que entrou no mercado gerou uma pressão negativa temporária sobre as cotações. No entanto, os pesquisadores do setor apontam que esse movimento de queda perdeu força nos dias seguintes.
Qualidade do grão define a formação dos preços
A qualidade comercial dos lotes de feijão segue como o fator de maior relevância na determinação dos preços praticados nas negociações de campo. Os compradores das grandes indústrias empacotadoras mostram-se mais exigentes e priorizam grãos de padrão visual e culinário elevado para atender ao consumidor final nos supermercados.
Lotes que apresentam grãos de padrão inferior, afetados por intempéries climáticas durante o desenvolvimento das lavouras, encontram maior dificuldade de escoamento pelas cooperativas. Por essa razão, o mercado registra uma disparidade acentuada de valores entre os grãos classificados como excelentes e os lotes comerciais comuns.
Os analistas de mercado indicam que o feijão do tipo carioca apresentou uma recuperação firme de valor nos principais polos de comercialização do país. Esse movimento ocorre porque as empresas do setor alimentício voltaram a atuar na compra de novas cargas para recompor os estoques de grãos de nota alta.
Comportamento do mercado para os tipos preto e carioca
O reequilíbrio financeiro verificado no mercado do feijão preto acompanha a mesma tendência positiva observada no tipo carioca. A procura constante por parte das indústrias de alimentos garante sustentação de preços e estabilidade nas principais bolsas de mercadorias agrícolas do país.
O Cepea destaca que os trabalhos de campo no Paraná continuam em andamento, o que deve injetar novos lotes da mercadoria no mercado nas próximas semanas. Contudo, a expectativa atual dos analistas é de que o mercado mantenha as cotações equilibradas caso o nível de exigência das indústrias continue atendido.
Os agricultores monitoram de perto os custos logísticos e o preço do transporte rodoviário para garantir a rentabilidade final da produção deste ano. O escoamento eficiente e ágil da colheita paranaense é considerado fundamental pelas lideranças do setor para abastecer de forma contínua os grandes centros urbanos que consomem o produto diariamente.
Perspectivas para o abastecimento nacional
A curto prazo, os especialistas avaliam que o comportamento do preço do feijão dependerá diretamente do ritmo de consumo doméstico nas grandes capitais brasileiras. O alimento faz parte da cesta básica da população e pequenas oscilações na oferta atacadista geram reflexos de curto prazo nas gôndolas dos supermercados.
As associações de produtores rurais reforçam a necessidade de investimentos contínuos em tecnologias modernas de armazenamento nas fazendas para diminuir as perdas que ocorrem no pós-colheita. Guardar a produção em silos adequados permite que o produtor rural comercialize o alimento nos momentos de melhor remuneração.
O acompanhamento diário das cotações agrícolas serve como uma ferramenta de planejamento estratégico indispensável para todos os elos da cadeia produtiva do agronegócio. Monitorar as tendências geradas pelas pesquisas de mercado auxilia tanto quem planta quanto quem compra a tomar decisões comerciais mais precisas e seguras.
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