
Fim do mês e período de férias complicam a vida das granjas
Trilux/CNA
Nem o frio que fez nas regiões sul e sudeste, nas últimas semanas, ajudou o setor de ovos. Após um período de certa estabilidade, registrado na primeira quinzena de junho, o consumo de ovos caiu e derrubou com ele, os preços em quase todas as regiões do país. O motivo: o fim do mês e o salário curto dos brasileiros.
De acordo com o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea/USP), com a queda no consumo nas cidades, os produtores de ovos precisaram reduzir seus preços para escoar a produção. Agora, o setor começa a se reorganizar para que os preços não caiam ainda mais. A preocupação é a proximidade das férias escolares, um período que tradicionalmente tem menor consumo.
Para evitar quedas mais acentuados nas cotações e ajustar a oferta interna à nova realidade de demanda, alguns agentes do setor já relataram o início da programação de descartes de aves poedeiras mais velhas. A medida estratégica busca limitar a pressão sobre os preços e garantir a sustentabilidade das operações no curto prazo, conforme indicam os pesquisadores do Cepea.
Custo mais baixo para produzir frango
Na contramão das dificuldades dos produtores de ovos, os criadores de aves paulistas começaram o mês de junho com uma notícia positiva para o caixa das propriedades. De acordo com s dados divulgados do Centro de Pesquisas (Cepea), o poder de compra do setor registrou alta pelo terceiro mês consecutivo, impulsionado por uma combinação de valorização da proteína e queda nos custos de produção.
A análise aponta que, na parcial de junho (considerando dados até o dia 24), o preço do frango vivo negociado no estado de São Paulo atingiu a média de R$ 5,12 o quilo. O valor representa uma alta de 1,1% na comparação com a média registrada em maio.
Os pesquisadores explicam que, embora o preço da carne de frango ainda apresente tendência de alta, o ritmo de valorização observou um arrefecimento neste mês. Esse comportamento é atribuído a um leve enfraquecimento na procura por novos lotes de animais no mercado atacadista.
Vale destacar que essa trajetória de alta começou de forma mais acentuada entre abril e maio, quando o setor enfrentou um cenário de forte valorização. Agora, o mercado busca um novo equilíbrio entre a oferta disponível e o consumo atual.
Milho e farelo de soja mais baratos
O principal motor para o ganho de rentabilidade do produtor, contudo, veio da ponta dos custos. Levantamentos realizados pela Equipe de Grãos do Cepea indicam que os dois principais insumos da dieta das aves – milho e farelo de soja – registraram quedas importantes nos preços durante junho.
No caso do milho, a desvalorização é explicada pela postura retraída dos compradores, que aguardam o avanço da colheita da safra atual para definir novos negócios. Já para o farelo de soja, a pressão baixista nos preços é reflexo de uma maior oferta do produto disponível no mercado interno.
Reflexos no poder de compra
Na prática, esse cenário favorável ao avicultor se traduz em números expressivos. Com a venda de um quilo de frango vivo em junho, o produtor paulista consegue adquirir 4,82 quilos de milho, uma melhora de 3,9% frente ao poder de compra visto em maio.
Em relação ao farelo de soja, a situação é ainda mais otimista. O avicultor consegue comprar, atualmente, 3,06 quilos do derivado com o valor arrecadado na venda de um quilo de frango. Este índice representa o maior volume de aquisição registrado desde novembro de 2025, com um incremento de 3,7% na comparação mensal.
Para quem acompanha o mercado, o cenário reforça a importância da gestão de custos. A rentabilidade na avicultura de corte é extremamente sensível à "relação de troca" entre o preço da proteína vendida e o valor pago pelos grãos, que compõem a maior parte do custo operacional na granja.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:
