
Arrozeiros pedem atenção especial ao custeio agrícola no Plano Safra
Paulo Rossi/Fedearroz
O acesso dos produtores de arroz ao Plano Safra 2026/2027 pode ficar comprometido caso não sejam implementadas medidas de renegociação de passivos e redução nos custos de financiamento. A avaliação é da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), que destaca a repactuação de dívidas agrícolas como um pilar fundamental para a continuidade da atividade produtiva no próximo ciclo.
Segundo o presidente da entidade, Denis Dias Nunes, o endividamento elevado impede que muitos agricultores contratem novas linhas, tornando indispensável um suporte governamental direto para garantir a viabilidade econômica do setor.
A necessidade de crédito acessível
Para a Federarroz, a operacionalização do Plano Safra exige atenção especial à subvenção ao custeio agrícola. A entidade defende que as taxas de juros para a agricultura empresarial sejam mantidas abaixo de 10% ao ano, patamar considerado determinante diante dos preços apertados que o setor enfrenta atualmente.
"Nas condições que temos agora, principalmente no arroz, não há como viabilizar o pagamento com juros acima de 10% ao ano", afirma Nunes. O dirigente ressalta que o custo do dinheiro será um fator decisivo para a capacidade de pagamento dos produtores na próxima safra.
Além da taxa de juros, a Federarroz monitora a forma como os recursos serão disponibilizados. O presidente da entidade explica que o anúncio do montante global do plano – que a entidade espera que se aproxime dos R$ 600 bilhões sugeridos pelas confederações ligadas à agricultura – funciona apenas como uma autorização para que as instituições financeiras busquem fontes de recursos, como Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e poupança rural, para liberar o crédito.
Propostas para o próximo ciclo
A entidade também ressalta a importância de ferramentas que mitiguem os riscos climáticos, defendendo uma recomposição robusta para o seguro rural. Para a Federarroz, o orçamento destinado à subvenção do seguro precisa alcançar a casa dos R$ 4 bilhões, suprindo a demanda das cadeias produtivas que ficou desatendida no ciclo anterior.
Nesse contexto, Nunes cita o Projeto de Lei (PL) 5.122/2023 como uma iniciativa positiva, mas faz um alerta: a proposta precisa ser operacionalizada antes do início do Plano Safra para que, de fato, alcance os produtores que já possuem restrições financeiras decorrentes de eventos climáticos adversos.
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