Agroband

Queima do Alho: tradição da cultura boiadeira requer horas de preparo

Comitivas preparam fogo de chão para cozinhar carnes, assados e panelões para arroz carreteiro, paçoca e outros

Da redação
DA REDAÇÃO

26/06/2026 • 12:24 • Atualizado em 26/06/2026 • 18:00

A tradição das comitivas de boiadeiros que cruzavam o Brasil pelo interior do país, conduzindo grandes boiadas e preparando suas refeições no fogo de chão, segue viva em festas que buscam resgatar a cultura e os costumes dos antigos tropeiros. Um dos momentos mais marcantes desses eventos é a chamada "queima do alho", uma celebração que reúne pratos típicos e histórias passadas de geração em geração.

Compartilhar

A preparação começa cedo, seguindo à risca os rituais herdados dos peões de boiadeiro. Os ingredientes são dispostos com calma e tudo é feito sem pressa, mantendo o respeito pelos detalhes que fazem parte da tradição. "A pressa aqui é inimiga da perfeição", afirma um dos participantes, reforçando que o ritmo segue o tempo do campo, em que cada etapa é valorizada.

O fogo de chão é aceso ainda pela manhã, e as panelas começam a receber os ingredientes cuidadosamente selecionados. "Nós estamos aí levando essa cultura para a gente manter essa tradição, continuar essa tradição aí do peão de Boiadeiro", destaca outro integrante da comitiva, enfatizando a importância do resgate cultural.

Durante a queima do alho, é possível vivenciar de perto como trabalhavam os avós e bisavós, desbravando estradas e abrindo caminhos que contribuíram para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro. "A queima do alho é o resgate dessa cultura", resume um dos organizadores, ressaltando o vínculo com a identidade do campo e da pecuária nacional.

O cardápio segue a tradição: arroz carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne, churrasco e peixes assados são preparados ao longo do dia. "Esses peixes que vocês estão vendo aqui assando? A gente colocou, eles eram 7. Horas da manhã e vai ficar pronto o Sol lá para as 5 da tarde. Então com muita calma pro pessoal apreciar também", relata um participante, evidenciando o tempo dedicado ao preparo e à apreciação dos sabores.

Além das comidas típicas, a festa é marcada por histórias compartilhadas em torno das panelas, uma verdadeira viagem ao passado. "Tem necessidade de saber como seus avós, como seus bisavós, trabalhavam", afirma outro representante, destacando o valor do conhecimento transmitido de geração em geração.

A queima do alho, mais do que uma refeição, é um encontro com as raízes e com a simplicidade resistente de quem caminhava lado a lado pelo interior do Brasil, celebrando a força da cultura boiadeira e a importância da preservação dessas tradições para as futuras gerações.