
Inverno aumenta a demanda por carnes 'mais fortes' como a suína
Canva/Direitos Adquiridos
O preço das carnes bovina e de frango registrou uma queda intensa no mercado brasileiro na parcial deste mês de junho. Com recuos mais expressivos do que os observados no setor suícola, essas duas proteínas ganharam competitividade e despontam como opções mais vantajosas para o bolso do consumidor na hora das compras.
A constatação faz parte do levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. De acordo com os pesquisadores, as quedas expressivas nos preços da carcaça casada bovina e do frango resfriado superaram o recuo registrado na carne suína na Grande São Paulo.
Essa movimentação interrompe um ciclo longo do mercado pecuário nacional. A carcaça especial suína vinha acumulando oito meses seguidos de ganhos competitivos frente à carne bovina e dois meses consecutivos diante da carne de frango.
Frio interfere no consumo
A perda de espaço da carne suína ocorre mesmo em um cenário de alta procura por essa proteína. Tradicionalmente, o mês de junho registra um aumento natural no consumo de cortes suínos em várias regiões brasileiras.
Esse aquecimento na demanda é impulsionado pelas festividades típicas do período, como as festas juninas, e pela chegada de temperaturas mais baixas. O clima frio costuma modificar os hábitos alimentares da população, elevando a busca por pratos à base de porco.
No entanto, a maior procura não foi suficiente para sustentar as cotações ou provocar uma reação nos preços. A explicação para o fenômeno está no comportamento da oferta e nos altos volumes estocados pelos frigoríficos.
Estoques elevados na indústria
A indústria de processamento atua neste momento com estoques bastante volumosos. Por conta dessa grande quantidade de produto disponível nos frigoríficos, o aumento nas vendas não se traduziu em valorização para a carcaça especial suína.
Diante do quadro geral, o consumidor final encontra um cenário de forte concorrência entre as marcas e os tipos de cortes nos supermercados e açougues. Embora a carne suína siga com preços em queda na parcial até o dia 23 de junho, as opções de frango e boi recuaram de forma ainda mais drástica.
Para quem planeja as compras domésticas, a carcaça casada bovina e o frango resfriado surgem como alternativas de forte alívio para o orçamento familiar. A conjuntura atual força o varejo a repassar as baixas das principais commodities e favorece a diversificação do cardápio.
O que é a carcaça casada e resfriada?
No jargão do agronegócio, o termo carcaça casada bovina refere-se ao conjunto integral formado pelas duas metades do animal (lados direito e esquerdo), que contêm os quartos dianteiro, traseiro e a ponta de agulha. É o padrão de comercialização que serve de termômetro para os preços que chegam aos açougues.
Já o frango resfriado indica a ave que passou por um processo de refrigeração logo após o abate, mantendo-se em temperaturas próximas a zero, sem chegar ao congelamento. Essa condição preserva as características originais da carne e possui alta liquidez no comércio varejista.
Especialistas do setor apontam que a tendência para as próximas semanas depende diretamente da velocidade com que a indústria conseguirá escoar os estoques acumulados. Até lá, o consumidor ganha margem para barganhar e aproveitar as promoções nos balcões de venda de proteínas de boi e ave.
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