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Preço do boi gordo deve cair no segundo semestre com menor envio à China

Queda nos embarques para o mercado chinês e alta nos custos com ração preocupam pecuaristas; oferta global de carne bovina registra recuo

Da redação
DA REDAÇÃO

24/06/2026 • 15:53 • Atualizado em 24/06/2026 • 15:53

Rabobank projeta queda de 4% na produção de carne bovina neste ano

Rabobank projeta queda de 4% na produção de carne bovina neste ano

Agência Brasil

O mercado de carne bovina no Brasil projeta um cenário de desaceleração e pressão sobre os preços da arroba do boi gordo a partir do terceiro trimestre de 2026. A estimativa reflete a retração no ritmo de compras da China, principal parceiro comercial do setor, além do encarecimento dos custos operacionais de produção.

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A China responde atualmente por cerca de 45% de todo o volume de carne bovina exportado pelo Brasil. Por isso, qualquer mudança no ritmo de embarques para o país asiático impacta de forma direta as cotações nacionais. Nesta semana, o governo chinês anunciou que já importou 65% da cota de carne bovina brasileira estipulada para o ano, de 1,1 milhão de toneladas.

Os Estados Unidos ocupam o segundo lugar nas exportações brasileiras, com 13% de participação no volume total enviado ao exterior. No entanto, incertezas sobre novas barreiras tarifárias internacionais deixam o mercado em compasso de espera.

Oferta enxuta com virada do ciclo pecuário

Apesar da pressão esperada nos preços para a segunda metade do ano, a oferta de animais prontos para o abate está mais enxuta no território nacional. O Rabobank projeta uma queda de 4% na produção nacional de carne bovina para o acumulado de 2026.

Essa menor disponibilidade ocorre em razão da virada do ciclo pecuário. O termo técnico define a flutuação periódica da produção de gado e dos preços, que acompanha o tempo necessário para criar os animais.

O cenário atual é resultado de três anos seguidos de abates intensos de fêmeas pelas fazendas. Como consequência dessa prática anterior, há uma redução na disponibilidade de animais prontos no mercado hoje.

A escassez de bois para o abate não é uma exclusividade do produtor brasileiro. A produção global da proteína recuou 2,5% no início deste ano, com quedas estimadas de 3% nos Estados Unidos e de 2% na China.

Essa restrição na oferta global impede um tombo maior nos preços praticados no mercado de commodities. As commodities são matérias-primas padronizadas negociadas em bolsas de valores, como é o caso do boi gordo.

Custos de produção com grãos e óleo diesel no radar

O pecuarista brasileiro enfrenta sérios desafios para manter as margens de lucro equilibradas. A soja e o milho continuam pressionando a viabilidade financeira de quem faz a engorda do rebanho no cocho. O cocho é a estrutura física onde se deposita o alimento do gado. As oscilações nos preços desses grãos, que são a base da alimentação animal, afetam o custo do confinamento.

O confinamento consiste no sistema de criação onde os animais são alojados em lotes e recebem ração balanceada. Esse método exige alto investimento em insumos e manejo nutricional. Somado a isso, a elevação dos custos operacionais e logísticos espreme a rentabilidade do setor produtivo. O aumento no preço do óleo diesel encarece o transporte de carga e exige uma gestão cirúrgica do pecuarista.

Consumo interno caminha a passos lentos no varejo

No cenário doméstico, o consumo de carne bovina no Brasil segue caminhando de forma lenta. O varejo encontra-se travado por causa do poder de compra restrito da população frente à situação econômica. A perda de fôlego no consumo local faz com que o consumidor migre para proteínas concorrentes mais baratas. As principais opções buscadas nos supermercados e açougues são o frango e a carne suína.

Essa mudança de hábito do consumidor limita a ocorrência de altas expressivas na carne bovina no balcão. O cenário obriga o produtor a buscar o equilíbrio entre os custos elevados e a baixa demanda interna.