
Cota institui 1,1 milhão de toneladas de carne bovina; exportações já atingiram 65%
Fernando Frazão/Agência Brasil
As exportações brasileiras de carne bovina para a China atingiram 65,4% da cota anual estabelecida, de 1,1 milhão de toneladas, segundo dados oficiais divulgados nesta terça-feira (23) pelo Ministério do Comércio (Mofcom) e a Administração-Geral de Alfândegas (GACC) da China.
De janeiro até maio deste ano, os chineses importaram 723,7 mil toneladas de carne bovina do Brasil. Esse volume totaliza os envios dos primeiros cinco meses de 2026 e também inclui cargas que foram vendidas no no fim de 2025, mas que só tiveram a chegada registrada a partir de janeiro.
A aceleração das vendas em abril e maio gerou forte movimentação nos portos nacionais. Em abril, as indústrias brasileiras enviaram 135 mil toneladas de carne bovina in natura (produto fresco ou congelado que não passou por industrialização) e em maio, os embarques cresceram ainda mais, alcançando o nível de 154 mil toneladas.
Frigoríficos mudam estratégia de produção
Diante desse fluxo intenso, existe uma grande expectativa entre os frigoríficos brasileiros pelo anúncio oficial de que o volume de vendas tenha atingido 80% da cota (o limite máximo de importação com tarifa reduzida). Alguns analistas de mercado acreditavam que esse nível já teria sido alcançado no início de junho.
Atualmente, uma parte das mercadorias enviadas do Brasil ainda se encontra em trânsito pelos oceanos. Esses volumes remotos devem entrar nos registros oficiais das alfândegas chinesas em breve, mudando os números totais da exportação da proteína.
Como ação preventiva, várias indústrias decidiram diminuir o ritmo de abate (processamento dos animais). Também ocorreu uma redução no volume de produção de cortes específicos de carne que são voltados para atender as exigências dos compradores chineses.
Desde o dia 20 de junho, muitas empresas do setor mantêm apenas os embarques que já estavam planejados anteriormente. Essa mudança na rotina das fábricas funciona como um movimento estratégico para proteger o ganho financeiro das empresas.
Risco de sobretaxa divide opiniões no setor
O principal motivo para essa freada na produção é evitar que a carne brasileira sofra punições fiscais severas ao chegar ao destino. Caso os limites da cota anual sejam ultrapassados, as cargas correm o risco de ser sobretaxadas de forma pesada pelas autoridades alfandegárias.
Se o teto do acordo comercial for quebrado, os exportadores do Brasil terão de pagar uma tarifa adicional alta. Essa taxa extra corresponde ao percentual de 55% sobre o valor total da mercadoria que entrar no país asiático fora do limite estabelecido.
Neste momento, a situação divide as opiniões dos empresários e das lideranças do agronegócio nacional. Um grupo de exportadores avalia que o período seguro para realizar novos embarques de carne termina no fim deste mês de junho.
Para esse grupo, o encerramento dos envios em junho garante que o produto chegue à China em cerca de 45 dias. Esse tempo de viagem permite que a carne entre no mercado asiático ainda dentro da cota, sem pagar a taxa extra de 55%.
Por outro lado, uma segunda ala de empresários indica que as indústrias podem continuar realizando os embarques até a primeira semana de julho. Eles afirmam que essa extensão do prazo não trará prejuízos financeiros imediatos para o agronegócio.
De acordo com essa visão mais otimista, a prorrogação das vendas para o início do próximo mês é segura. Essa projeção indica que o anúncio oficial do esgotamento total da cota de importação da China deve ocorrer apenas no mês de setembro
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:
