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Exportação de café do Brasil sobe 9,9% e atinge 3 milhões de sacas em julho

Apesar da alta no mês, embarques acumulados do ano registram queda de 5,9% e receita cambial recua 13,1%

Da redação
DA REDAÇÃO

12/08/2026 • 12:00 • Atualizado em 12/08/2026 • 12:00

Exportações recuam em julho devido ao clima e questões logísticas

Exportações recuam em julho devido ao clima e questões logísticas

Pixabay

As exportações brasileiras de café registraram alta de 9,9% em julho de 2026, com o embarque de 3,030 milhões de sacas de 60 kg. O volume refere-se ao primeiro mês do ano-safra 2026/27. No entanto, a receita cambial do período caiu 13,2%, somando US$ 903,9 milhões contra US$ 1,042 bilhão registrados em julho do ciclo anterior.

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No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o desempenho do setor cafeeiro apresenta retração. Os embarques somaram 20,897 milhões de sacas de janeiro a julho de 2026, montante 5,9% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. A receita cambial acumulada recuou 13,1%, atingindo US$ 7,449 bilhões.

De acordo com o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Márcio Ferreira, o volume embarcado em julho ficou abaixo do esperado devido a fatores climáticos e logísticos. A ocorrência de chuvas em importantes regiões produtoras atrasou a colheita do café arábica. Além disso, gargalos de infraestrutura nos portos brasileiros geraram dificuldades para o embarque das cargas, provocando custos adicionais com armazenagem, pré-stacking e detentions.

A expectativa do Cecafé é que os embarques ganhem ritmo a partir da segunda metade de agosto, impulsionados pelo avanço da colheita do café arábica. Ferreira avalia que o fluxo de vendas pelos cafeicultores deve continuar cadenciado, aproveitando os momentos de alta dos preços.

Principais destinos e mercado americano

Os Estados Unidos permanecem como o principal comprador do café brasileiro de janeiro a julho de 2026, somando 2,590 milhões de sacas (12,4% do total). O volume representa um recuo de 30,5% em relação ao mesmo período de 2025.

A Alemanha ocupa a segunda posição na lista de destinos, com 2,426 milhões de sacas (queda de 8,9%), seguida por Itália, com 1,881 milhão de sacas (alta de 8,3%), Bélgica, com 1,577 milhão de sacas (alta de 14,4%), e Japão, com 1,114 milhão de sacas (queda de 23,6%).

A entidade projeta uma recuperação nas vendas para o mercado americano nos próximos meses. A atuação conjunta do Cecafé com a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e a National Coffee Association (NCA) resultou na retirada das tarifas sobre o produto brasileiro nos EUA, o que deve estimular os embarques.

A queda na receita cambial total reflete tanto o menor volume exportado quanto a redução no preço médio por embarque. Entre janeiro e julho de 2026, o valor médio da saca ficou em US$ 356,45, montante 7,7% inferior aos US$ 386,26 registrados em 2025.

Desempenho por variedades e cafés diferenciados

O café arábica liderou os embarques no acumulado do ano, com 14,987 milhões de sacas, representando 71,7% do volume total exportado. O número indica um declínio de 16,6% ante os primeiros sete meses do ano anterior.

A espécie canéfora, composta por conilon e robusta, alcançou 3,387 milhões de sacas embarcadas (16,2% do total), apresentando crescimento de 73,5% na comparação com o mesmo período de 2025. O segmento de café solúvel respondeu por 2,486 milhões de sacas (11,9%), enquanto o setor de café torrado e moído somou 36.456 sacas (0,2%).

Os cafés diferenciados — produtos de qualidade superior ou com certificações sustentáveis — somaram 3,498 milhões de sacas de janeiro a julho, equivalentes a 16,7% das exportações totais. O volume representa queda de 26,5% frente ao mesmo intervalo de 2025.

A receita com os cafés diferenciados atingiu US$ 1,468 bilhão, com preço médio de US$ 419,57 por saca. Os Estados Unidos também lideraram os embarques dessa categoria, com 464.885 sacas, seguidos por Alemanha (390.478 sacas), Bélgica (378.900 sacas), Itália (357.109 sacas) e Suécia (203.959 sacas).

O Porto de Santos consolidou-se como o principal canal de escoamento da produção, respondendo por 70,9% das exportações brasileiras de café no período, com 14,821 milhões de sacas. O complexo portuário do Rio de Janeiro movimentou 5,153 milhões de sacas (24,7%), e o Porto de Paranaguá embarcou 231.951 sacas (1,1%).

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