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Após leve alívio, preço do café volta a subir por causa das chuvas

Chuvas prejudicaram a secagem e a qualidade dos grãos no campo, sustentando as cotações mesmo com o avanço da colheita

Da redação
DA REDAÇÃO

05/08/2026 • 13:35 • Atualizado em 05/08/2026 • 13:35

Chuvas nas regiões produtoras reduziram a oferta do grão

Chuvas nas regiões produtoras reduziram a oferta do grão

Gilberto Marques/Secretaria da Agricultura do Estado de SP

O preço do café arábica e do robusta registrou alta durante o mês de julho no mercado brasileiro, impulsionado pelas chuvas nas regiões produtoras e pela menor oferta de grãos. A avaliação faz parte de um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que monitora o encerramento da colheita da safra 2026/27 no país.

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Mesmo com o avanço dos trabalhos de campo, que tradicionalmente aumenta a quantidade de produto disponível no mercado e pressiona os valores para baixo, a tendência registrada no período foi de valorização.

Nas principais praças cafeeiras monitoradas pelos pesquisadores, a instabilidade do clima gerou apreensão entre os cafeicultores quanto ao ritmo de colheita e aos padrões do produto final.

No caso do café arábica, variedade conhecida por seu aroma suave e sabor refinado, a colheita caminha para os momentos finais nas propriedades rurais brasileiras. De acordo com agentes de mercado consultados pela instituição de pesquisa, restam aproximadamente 20% da área total destinada ao cultivo para serem colhidos.

Na maioria das regiões cafeeiras, os produtores rurais concentram as atividades no recolhimento do café do chão e na retirada das últimas frutas nos talhões restantes.

As precipitações registradas ao longo de julho prejudicaram a secagem da lavoura e trouxeram preocupações sobre a perda de qualidade dos grãos de arábica recolhidos do solo. Já a colheita do café robusta, também chamado de conilon, está praticamente encerrada em todo o território nacional. Esta variedade é amplamente utilizada pela indústria de café solúvel e na fabricação de misturas comercializadas nos supermercados devido ao seu sabor mais encorpado.

Apesar do término dos trabalhos no campo e do consequente aumento na oferta da matéria-prima, as cotações do robusta também fecharam o mês em patamar elevado.

Segundo a análise do Cepea, a alta do robusta foi sustentada por dois fatores principais: o volume total colhido menor nesta temporada e o efeito de atração provocado pela valorização paralela do arábica. O movimento de valorização simultânea de ambas as espécies rompe com o comportamento padrão observado durante o pico da safra cafeeira no Brasil.

Em anos normais, a entrada intensa de novas sacas no mercado gera um recuo temporário nos valores de comercialização praticados pelos compradores. No entanto, o clima adverso nas regiões cafeeiras e a menor produtividade em áreas estratégicas mantiveram o mercado em alerta, reajustando os valores de compra da saca.

Para o produtor rural, a elevação nos preços compensa parcialmente os custos operacionais e as dificuldades enfrentadas durante o manejo e a secagem da safra afetada pelas chuvas. A evolução das cotações nas próximas semanas dependerá do ritmo de finalização dos trabalhos de varrição e da qualidade efetiva dos lotes que chegam aos armazéns das cooperativas.