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Fertilizantes no Brasil: Rabobank projeta queda na demanda em 2026

Após recorde histórico no ano passado, produtores rurais adotam maior cautela na compra de insumos devido a margens apertadas e tensões globais

VIVIANE TAGUCHI

24/06/2026 • 15:14 • Atualizado em 24/06/2026 • 15:14

Agricultores estão mais cautelosos nas compras de insumos

Agricultores estão mais cautelosos nas compras de insumos

Reprodução/Agro+

O mercado de fertilizantes no Brasil registra uma projeção de queda no consumo para 2026, influenciado diretamente pelo cenário de aperto financeiro enfrentado pelos produtores rurais. A estimativa é do banco de análises Rabobank, que aponta um recuo na procura pelos insumos após os recordes históricos de entregas anotados no setor agropecuário nacional.

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A projeção indica que o consumo de adubos deve recuar para a marca de 47,2 milhões de toneladas ao longo de 2026. Esse volume representa uma desaceleração em relação ao desempenho de 2025, período em que o país atingiu o teto histórico de 49,1 milhões de toneladas distribuídas.

Essa retração no mercado doméstico é um reflexo claro das margens operacionais mais estreitas enfrentadas pelos agricultores. Produtores de grandes culturas brasileiras, como a soja e o milho, encontram dificuldades econômicas significativas para fechar as contas da safra.

A cautela na aquisição de insumos ganha força com as restrições severas na concessão de crédito agrícola. Sem financiamento facilitado, o produtor rural prefere diminuir os investimentos imediatos na lavoura para evitar o endividamento.

Tensões geopolíticas e gargalos logísticos pressionam custos

No ambiente internacional, o cenário é de forte instabilidade devido à escalada de conflitos geopolíticos e crises diplomáticas. Tensões localizadas em regiões estratégicas, como o Oriente Médio, retiram de circulação volumes expressivos de fertilizantes e matérias-primas essenciais.

A circulação de insumos sofre com bloqueios e gargalos logísticos em passagens marítimas fundamentais, como o Estreito de Ormuz. Esse estrangulamento do comércio global afeta diretamente o fluxo de transporte e eleva os custos de energia no planeta.

Como resultado, o mercado global enfrenta uma forte valorização e uma volatilidade intensa nos preços de commodities químicas essenciais. Entre os produtos mais afetados pela disparada de preços internacionais estão a ureia e os compostos fosfatados.

Alerta nos fosfatados indica crise prolongada até 2027

O risco de desabastecimento ou de custos inviáveis no mercado brasileiro é mais urgente no segmento de adubos fosfatados. O setor lida com um gargalo estrutural complexo gerado pela escassez global de enxofre.

A falta dessa matéria-prima fundamental provocou preços recordes para o ácido sulfúrico no mercado internacional. O Rabobank projeta que o aperto na oferta global deve mudar as estratégias de adubação de forma duradoura.

A menor acessibilidade financeira do agricultor deve comprometer a nutrição adequada do solo nas próximas safras. Os analistas alertam que os impactos negativos desse desequilíbrio econômico podem se estender de maneira persistente até o ano de 2027.

Alta dependência externa expõe vulnerabilidade do agro

O Brasil carrega uma vulnerabilidade histórica devido à sua dependência de fornecedores estrangeiros de insumos. Atualmente, o país precisa importar cerca de 90% de toda a demanda por fertilizantes utilizada em suas plantações.

Esta dependência severa deixa a produção de alimentos totalmente exposta às disputas e à concorrência internacional pelos volumes remanescentes. Sem uma produção interna robusta, o mercado nacional absorve integralmente os choques de preços externos.

Dessa forma, os preços domésticos dos fertilizantes permanecem sob forte pressão. O cenário exige planejamento rigoroso dos agricultores para garantir a rentabilidade dos negócios diante da volatilidade internacional.