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Protocolo Carne Baixo Carbono pode reduzir emissões da pecuária em 35%

Iniciativa pioneira da Embrapa e MBRF certifica boas práticas agropecuárias e valoriza propriedades sustentáveis

Da redação
DA REDAÇÃO

21/11/2025 • 11:09 • Atualizado em 21/11/2025 • 11:09

Embrapa cria protocolo sustentável para a pecuária, que vai do campo ao frigorífico

Embrapa cria protocolo sustentável para a pecuária, que vai do campo ao frigorífico

Divulgação

Resumo

O Protocolo Carne Baixo Carbono, criado pela Embrapa e apresentado na COP30 por Roberto Giolo, propõe a redução de até 35% nas emissões de gases de efeito estufa na pecuária brasileira por meio de técnicas sustentáveis, rastreabilidade e valorização econômica das propriedades rurais.

A validação em fazendas comerciais entre 2020 e 2023 demonstrou estoques de carbono no solo superiores aos da vegetação nativa, com aplicação de 67 critérios divididos em módulos e possibilidade de certificação progressiva; a iniciativa já conta com apoio da ONG Amigos da Terra, quatro certificadoras credenciadas e rastreabilidade via plataforma Agri Trace Animal.

A expansão do protocolo para outras culturas como soja, leite, trigo e milho está prevista a partir de 2026, com potencial de redução adicional das emissões; o projeto contribui para transparência ao consumidor e está alinhado a padrões internacionais de sustentabilidade, ODS, IPCC e critérios ESG.

O Protocolo Carne Baixo Carbono, desenvolvido pela Embrapa para a criação de gado em regiões tropicais, poderia reduzir em até 35% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) pela atividade. A técnica foi apresentada na COP30 pelo pesquisador Roberto Giolo, e representa um modelo de negócios inédito que alia sustentabilidade, rastreabilidade e valorização econômica da propriedade rural.

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A técnica vem sendo testada desde 2018 e, de acordo com a calculadora de carbono desenvolvida pela Embrapa, ela reduziu em 35% a intensidade de emissão de carbono das propriedades já adotantes, em relação à média da pecuária de corte brasileira.

Roberto Giolo apresentou dados que comprovam a capacidade dos sistemas pecuários de remover carbono do solo em comparação com mata nativa. "Já sabíamos desde 2012, através de experimentos no Cerrado, que pastos bem manejados podem superar a mata nativa na remoção de carbono. Isso também acontece na Amazônia e na Mata Atlântica", explicou.

A validação do Protocolo Carne Baixo Carbono, realizada entre 2020 e 2023 em fazendas comerciais, como a do Grupo Roncador, em Querência (MT), e a Trijunção, em Jaborandi (BA), gerou mais dados consistentes. Os resultados mostraram estoques de carbono no solo em áreas que adotaram os critérios do protocolo, maiores que os da vegetação nativa.

Do campo ao frigorífico

O protocolo conta com 67 critérios divididos em módulos de conformidades, solo, pasto, animal, terminação intensiva e planta frigorífica. Para iniciar a certificação, o produtor precisa atender apenas 20 critérios mínimos, numa perspectiva de melhoria contínua a cada dois anos.

"O protocolo não é nada complexo, bastante abrangente, e pode ser usado em todos os biomas, exceto nas áreas alagadas do Pantanal. As práticas não estão muito fora do que os produtores já fazem", destacou Giolo. A organização não governamental Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, com a colaboração da Embrapa Gado de Corte, elaborou um guia para os produtores rurais com um passo a passo simplificado para a sua implementação. A ONG apoia o projeto.

Mercado em expansão

Leonel Almeida, gerente global de Pecuária Sustentável da MBRF, revelou que a empresa já mapeou quase 700 propriedades com potencial para adesão imediata ao protocolo, representando de 250 mil a 300 mil animais. “O protocolo vem coroar as boas práticas agropecuárias, que já vêm sendo utilizadas, e tornar a sustentabilidade algo concreto”, resumiu. O executivo afirmou ainda que a iniciativa tem alto potencial por estar alinhada ao modelo de produção de carne brasileiro.

Expansão para outras culturas

Carina Rufino, chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja, afirmou que o Protocolo Carne Baixo Carbono é um projeto disruptivo que trouxe um legado muito maior, além do impacto na cadeia da pecuária de corte. Segundo a gestora, o modelo será adaptado para outras culturas. "Em 2026 vamos começar a operar o protocolo de baixo carbono no mercado da soja, com potencial de 30% de redução das emissões e 30% em remoção. Vêm por aí protocolos para sorgo, leite, trigo e milho, dentre outros", revelou.

Ela deu o exemplo dos produtores que adotam sistemas de integração e que obtenham o selo Carne Baixo Carbono - provavelmente, eles não terão dificuldades em obter o da soja, trazendo grande diferencial para o setor no Brasil.

Transparência para o consumidor

Mauro Armelin, diretor-executivo da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, contou que a ONG identificou “enorme” potencial no protocolo para ajudar na meta principal da entidade, acabar com o desmatamento. Por isso, o apoio ao projeto.

De acordo com Mauro, o protocolo Carne Baixo Carbono é uma das peças para resolver o complexo problema do clima. “A redução das emissões por combustíveis fósseis é um caminho, mas outro caminho está aqui neste protocolo, com a adaptação às mudanças climáticas na prática”, disse.

O diretor destacou ainda o papel do protocolo na transparência da cadeia produtiva. “O consumidor final não tem ideia do seu poder. Por isso desenvolvemos a campanha ”Siga o Rastro". O protocolo deixa o rastro e dá os insumos para seguir esse rastro", explicou. O portal Siga o Rastro reúne as iniciativas disponíveis de forma a auxiliar os consumidores de carne a fazer escolhas mais sustentáveis.

Mais sobre o protocolo

A iniciativa já conta com quatro certificadoras credenciadas pela Embrapa e utiliza a plataforma Agri Trace Animal da CNA para rastreabilidade. O protocolo se aplica a áreas consolidadas (não desmatadas após 2008), sistemas pastoris ou agropastoris, com animais de 10 a 30 meses - bem abaixo da média brasileira de 40 meses, em consonância com o padrão “Boi China”.

O protocolo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2, 12 e 13, às diretrizes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), à iniciativa internacional 4 pour 1000 (de combate às mudanças climáticas, com foco na importância dos solos para a agricultura e a segurança alimentar) e aos critérios ESG (ambiental, social e governança, na sigla em inglês), posicionando-se como uma das principais ferramentas para tornar a agropecuária brasileira parte da solução climática global.

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