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Agro

Na COP30, cientistas mostram como a pecuária pode ser mais sustentável no Brasil

Manejos desenvolvidos e adaptados aos biomas brasileiros reduzem a emissão de gases e aumentam a produtividade

3 min

18/11/2025 13:16 • Atualizado há 340 dias

Na COP30, cientistas mostram como a pecuária pode ser mais sustentável no Brasil

A redução das emissões de gases de efeito estufa pela atividade pecuária no Brasil foi o tema central das discussões que aconteceram na AgriZone, durante a COP30, em Belém (PA) nesta semana. Cientistas, representantes do setor e produtores rurais se reuniram para debater as estratégias que estão sendo adotadas, em diferentes biomas brasileiros, para aumentar a produtividade e mitigar os impactos das mudanças climáticas.

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Na região amazônica, o Sistema Guaxupé, que compõe pastagens biodiversas, foi citado como exemplo de inovação no manejo sustentável. "Esses sistemas garantem maior resiliência, maior longevidade de pastagens e também produtividade. Nesses sistemas, a gente consegue reduzir em até 36% os gases de efeito estufa", afirmou Daniel Lambertucci, da Embrapa Acre.

O pesquisador Roberto Giolo, da Embrapa Gado de Corte de Mato Grosso do Sul, destacou o sistema integrado de lavoura, pecuária e floresta (ILPF) como referência em sustentabilidade. Segundo ele, esse modelo é considerado "a menina dos olhos quando se refere ao sistema sustentável", pois contribui para o equilíbrio ambiental e para a produção eficiente.

Atualmente, pelo menos metade das propriedades rurais brasileiras possui criação de gado, totalizando cerca de 200 milhões de cabeças em todo o país. Os especialistas reconhecem que a pecuária é um dos setores do agronegócio que mais preocupa em relação à emissão de gases de efeito estufa, mas defendem que o setor também tem capacidade de sequestrar carbono. "A gente fala muito de emissão, a gente precisa começar a falar um pouco mais de balanço, porque da mesma forma que a pecuária, ela emite", destacou um dos especialistas da Embrapa.

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O documento apresentado durante o encontro reforçou o posicionamento da Embrapa sobre a necessidade de considerar o balanço entre emissão e sequestro de carbono, ressaltando o papel da genética, do manejo alimentar e do ciclo de criação na redução das emissões. As soluções passam pelo investimento em tecnologia e ciência dentro das propriedades, tornando possível avanços importantes para a segurança alimentar e a sustentabilidade.

Os especialistas também apontaram a importância de programas de financiamento para acelerar a adoção dessas práticas. "Se eu tiver um programa de financiamento tal, a pecuária brasileira pode tornar o país líder na transição sustentável", afirmaram, reforçando que o esforço nas ações, as evidências nas soluções baseadas na ciência e na prática no campo são essenciais para que o Brasil seja referência mundial em sustentabilidade.

A reunião em Belém mostrou que as mudanças necessárias para uma pecuária mais sustentável já começaram a ser implementadas, mas dependem do fluxo de caixa dos produtores e do apoio institucional para avançar. O setor, fundamental para a segurança alimentar nacional, busca equilibrar produtividade e responsabilidade ambiental, mostrando ao mundo seu potencial de liderança na transição para uma economia de baixo carbono.

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