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Recuperações judiciais no agronegócio batem recorde em 2025

Pedidos de auxílio à Justiça subiram 56% no último ano; cenário reflete queda no preço das commodities e custos elevados

Da redação
DA REDAÇÃO

16/03/2026 • 10:00 • Atualizado em 16/03/2026 • 10:00

Resumo

O agronegócio brasileiro registrou em 2025 um recorde de 1.990 pedidos de recuperação judicial, um aumento de 56% em relação a 2024, causado pela queda nos preços das commodities, altos custos de insumos e impacto das taxas de juros no crédito rural.

A recuperação judicial, mecanismo que permite renegociação de dívidas para evitar falência, foi amplamente acionada diante do aumento da inadimplência, evidenciando pressão financeira inédita sobre produtores rurais e dificultando o acesso ao crédito para manutenção das atividades.

A pesquisa agropecuária apresentou iniciativas como o plantio de 900 mudas no maior cafezal urbano de São Paulo para estudos sobre manejo e controle de pragas, e o desenvolvimento pela UEM no Paraná de um protocolo inédito de extração de leite de coelhas, visando reduzir a mortalidade de filhotes em criações comerciais.

O agronegócio brasileiro registrou um recorde histórico no número de pedidos de recuperação judicial em 2025. De acordo com dados do setor, foram registradas 1.990 solicitações, o que representa uma alta de 56% em comparação ao ano de 2024. O cenário é impulsionado pela combinação da queda nos preços das commodities no mercado internacional, custos elevados de insumos e o impacto das altas taxas de juros no crédito rural.

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A recuperação judicial é um mecanismo jurídico utilizado por empresas ou produtores rurais para evitar a falência quando não conseguem pagar suas dívidas. O processo permite que o devedor apresente um plano de reorganização para renegociar prazos e valores com os credores, mantendo a produção ativa. No entanto, o salto significativo no número de inadimplentes em 2025 demonstra que a pressão financeira sobre o campo atingiu níveis críticos.

Fatores de crise e o impacto no crédito rural

A crise financeira que afeta os produtores rurais brasileiros decorre de um cenário econômico adverso iniciado nas últimas safras. A queda no preço de produtos como soja e milho reduziu a margem de lucro, enquanto os custos para produzir — que incluem fertilizantes e defensivos — permaneceram em patamares elevados.

Além disso, o aumento contínuo da taxa de juros encareceu o financiamento da produção. Esse cenário impactou diretamente o acesso ao crédito rural, gerando um efeito dominó de inadimplência que levou muitos produtores a buscarem o auxílio da Justiça para tentar manter as atividades "da porteira para dentro".

Enquanto o setor financeiro enfrenta desafios, a pesquisa agropecuária busca soluções para aumentar a produtividade e a sustentabilidade no campo. Na capital paulista, o maior cafezal do mundo em área urbana recebeu 900 novas mudas para fins de pesquisa. O espaço, que é mantido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seagri) por meio do Instituto Biológico, conta com um modelo experimental de fazenda.

Criado originalmente em 1927 para combater a crise da broca do café, o espaço reúne atualmente cerca de 3.000 plantas. O foco dos pesquisadores do Instituto Biológico é desenvolver estudos avançados sobre o manejo do solo e o controle biológico de pragas, garantindo que as lavouras brasileiras sejam mais resistentes a doenças.

Outro destaque tecnológico vem do Paraná, onde pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) desenvolveram um protocolo inédito para a retirada de leite de coelhas. A técnica foi pensada para reduzir a mortalidade de filhotes na fase de desmame, índice que hoje chega a 20% nas criações comerciais.

O problema central identificado pelos pesquisadores é biológico: uma coelha pode parir até 17 filhotes, mas possui apenas oito tetas. Isso impede que parte da ninhada receba a alimentação necessária para sobreviver. O método desenvolvido envolve o uso de doses controladas de hormônios, estímulo natural dos filhotes e sucção mecânica para a coleta do leite, permitindo que os criadores alimentem artificialmente os animais que ficariam sem o recurso.

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