Roraima e Guiana: Nova rota da soja promete reduzir custos de exportação
Pavimentação de estrada ligando Boa Vista ao Porto de Georgetown reduzirá viagem ao Canal do Panamá de 14 para 4 dias

Uma iniciativa logística estratégica entre o Brasil e a Guiana promete transformar o escoamento da produção agrícola do extremo norte do país. A nova rota terrestre ligará Roraima ao Porto de Georgetown, facilitando o acesso brasileiro ao Canal do Panamá e reduzindo drasticamente os custos e o tempo de transporte para os mercados dos Estados Unidos e da Ásia.
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Atualmente, o milho e a soja produzidos em Roraima precisam descer de caminhão até Manaus, seguir pelo Rio Amazonas e atravessar o Oceano Atlântico para alcançar o Panamá. Com a nova rodovia, a carga subirá diretamente para o porto da capital guianense, encurtando o trajeto marítimo e tornando o produto roraimense mais competitivo no cenário global.
O desafio da pavimentação
A expedição percorrida pelos repórteres Valteno de Oliveira e Denio Gonçalves revelou que, embora a BR-401 no lado brasileiro esteja totalmente asfaltada, o trecho na Guiana ainda é composto por uma longa e empoeirada estrada de terra. O grande desafio para viabilizar a rota é o asfaltamento de aproximadamente 300 quilômetros que ligam a fronteira de Lethen ao porto de Georgetown.
A infraestrutura pavimentada é considerada a peça-chave para diminuir o custo de produção. "A soja de Roraima vai ser a soja mais próxima do Brasil em relação ao canal do Panamá", destaca a reportagem do AgroBand. Além do asfalto, o governo da Guiana precisará construir uma ponte sobre um rio localizado a 200 quilômetros da capital.
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Competitividade e novos mercados
Para os produtores rurais do estado, muitos deles vindos do Sul do Brasil nas décadas de 80 e 90, a rodovia representa o fim de um gargalo histórico. Após superarem desafios de segurança jurídica no passado, o foco agora é a eficiência logística para garantir margens melhores.
A expectativa do setor é que a ligação funcione como uma via de mão dupla. Além de agregar valor à venda dos grãos por estarem mais próximos do escoamento, a rota deve baratear a compra de insumos agrícolas essenciais, como calcário e adubo. A própria Guiana também é vista como um potencial mercado consumidor para a produção brasileira.
O agronegócio de Roraima vive um momento de expansão, tendo alcançado 150 mil hectares de cultivo na última safra. Com a concretização desta rota, o estado busca consolidar sua posição como um polo produtor estratégico, utilizando a geografia a seu favor para atingir o mercado internacional com agilidade inédita.
