O Porto de Santos consolida sua posição estratégica como o principal canal de escoamento do agronegócio brasileiro, concentrando aproximadamente 80% de todos os embarques de café direcionados ao mercado externo. A eficiência logística do complexo portuário e as transformações tecnológicas na cadeia produtiva centralizam as discussões da 25ª edição do Seminário Internacional do Café, realizado no Santos Convention Center, na Ponta da Praia. O evento reúne um público formado por especialistas do setor, produtores agrícolas, pesquisadores acadêmicos e representantes da indústria global para debater os principais gargalos de infraestrutura e as novas tendências que moldam o mercado.
As discussões técnicas mostram que o setor cafeeiro busca alinhar a capacidade de armazenamento dos terminais com o aumento sazonal da safra, garantindo que o produto mantenha os padrões de qualidade exigidos por compradores europeus e norte-americanos.
O escoamento rodoviário e ferroviário até as docas santistas também passa por avaliação de viabilidade técnica diante das projeções de crescimento do volume transportado para os próximos anos.
Impacto da inteligência artificial e novas diretrizes de contratação
As discussões do seminário avançam sobre temas transversais de relevância global, conectando a produção agrícola com os setores de logística, infraestrutura portuária, macroeconomia e geopolítica.
Um dos eixos temáticos de maior repercussão aborda a aplicação de novas tecnologias no gerenciamento de negócios, com ênfase no papel da inteligência artificial dentro das empresas exportadoras.
Maturidade profissional ganha espaço nas empresas do setor
Durante as apresentações do painel de tecnologia, o palestrante Walter Longo analisa o impacto direto da inteligência artificial nos modelos corporativos e aponta uma mudança estrutural no perfil de contratação profissional para a área tecnológica.
Segundo as informações apresentadas por Walter Longo, a dinâmica atual do mercado de trabalho demonstra uma clara quebra de paradigma: as diretorias de recursos humanos passam a priorizar profissionais mais experientes, com idade acima dos 45 e 50 anos.
Essa tendência contrasta com o padrão verificado na última década, que historicamente privilegiava profissionais da geração mais jovem, na faixa dos 20 aos 30 anos. A justificativa para essa transição baseia-se na necessidade de aliar o domínio técnico das ferramentas automatizadas com a maturidade corporativa, a resiliência e a visão estratégica de longo prazo — competências mais consolidadas em profissionais sêniores.

