Resumo
Imposição de tarifa: O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aplicação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, impactando principalmente o setor de exportação de carne, com preocupações expressas pelo governo federal.
Impacto econômico: A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) estima que a nova carga tributária ultrapasse 76%, afetando a viabilidade das exportações ao mercado norte-americano, que em 2024 importou 229 mil toneladas de carne brasileira. O presidente da ABIEC, Roberto Perosa, alertou que isso poderia resultar em um impacto financeiro superior a US$ 1 bilhão.
Consequências para o café: O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) está em negociações para que o café seja incluído nas exceções das tarifas. O café é um produto de grande relevância tanto para o Brasil quanto para os EUA, com os brasileiros sendo os principais fornecedores para o mercado norte-americano, que por sua vez consome uma quantidade significativa e gasta bilhões anualmente em café e produtos relacionados.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta quarta-feira (30) a imposição de tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Com isso, o setor de exportação da carne será atingido, o que também preocupa o governo federal.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), somada à alíquota atual de 26,4%, a carga tributária deve ultrapassar 76%, “comprometendo a viabilidade econômica das exportações ao mercado norte-americano, que importou 229 mil toneladas em 2024”.
O presidente da entidade, Roberto Perosa, disse que o tarifaço pode gerar um impacto de mais de US$ 1 bilhão.
“Os Estados Unidos são o nosso segundo maior mercado, um mercado importante para a carne bovina brasileira e estamos muito preocupados com essa situação. Essa taxação inviabiliza a exportação de carne bovina para os EUA”, disse Perosa.
“Continuamos acreditando que o governo brasileiro está se esforçando para negociações, mas a alternativa é distribuir esse volume ao redor do mundo. Não há nenhum mercado com tanta especificação e rentabilidade quanto o americano. Não há um substituto imediato", acrescentou.
Ainda de acordo com a ABIEC o preço da carne pode ter uma redução no começo, com parte da produção que iria para os Estados Unidos, indo para o mercado nacional. Mas o preço deve subir depois da vigência do tarifaço e também por conta da redução no abate do boi gordo.
Café também será afetado
Em relação ao café, Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) afirmou que seguira em tratativas com seus pares dos Estados Unidos com o objetivo de que o produto passe a integrar a lista de exceções elaborada pelo governo americano.
“Na relação comercial cafeeira entre EUA e Brasil, as nações são imprescindíveis uma à outra, uma vez que os cafés brasileiros representam uma fatia superior a 30% do mercado cafeeiro norte-americano, sendo o principal fornecedor ao país, ao passo que os EUA respondem por 16% das exportações do produto nacional, sendo o principal destino de nossas exportações”, destacou a Cecafé.
“Não obstante a sua conhecida importância para o Brasil, o café também é de suma relevância aos Estados Unidos, haja vista que 76% do povo norte-americano consome a bebida; a população gasta cerca de US$ 110 bilhões em café e itens relacionados (US$ 301 milhões por dia) ao ano; e o fato de o produto ser responsável por mais de 8% do valor de toda a indústria de serviços alimentícios, conforme estudo sobre o impacto econômico do café nos EUA, conduzido pela Technomic, em 2022, a pedido da NCA”, continuou.
Diante da relevância do café aos consumidores e a economia norte-americana, a entidade entende que se faz necessário a revisão da decisão de taxar o produto brasileiro, “ato que implicará elevação desmedida de preços e inflação, uma vez que esses tributos serão repassados à população americana no ato da compra”.
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