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Agro

Varejo cria estratégia para vender proteínas a brasileiros endividados

As ofertas de proteínas no varejo brasileiro cresceram 23% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O avanço foi

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19/09/2026 10:00 • Atualizado há 34 dias

Varejo cria estratégia para vender proteínas a brasileiros endividados

As ofertas de proteínas no varejo brasileiro cresceram 23% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado por uma alta de 30% registrada somente em junho, segundo dados da SB Analytics, em parceria com a Vertical. Com o encarecimento da carne bovina, cujos preços acumulam alta de 6,23% ao ano entre 2021 e 2026, os estabelecimentos comerciais passaram a diversificar as opções para o consumidor.

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Diante de um cenário em que 82% dos brasileiros possuem algum tipo de dívida, conforme dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, o orçamento das famílias enfrenta forte pressão. Para contornar o problema e manter o fluxo de vendas, os supermercados ampliaram as alternativas de proteínas nas campanhas promocionais, oferecendo simultaneamente carne bovina, frango, carne suína, linguiça, peixe e ovos.

Mudanças no comportamento de compra e consumo

A carne bovina ainda lidera as campanhas promocionais no Sudeste, com 28,5% de participação, mas o frango aparece logo atrás, com 22,2%. O panorama regional, no entanto, apresenta variações expressivas. Em São Paulo, a carne bovina responde por 30,6% das ofertas e o frango por 20%, enquanto no Espírito Santo os percentuais são de 29,9% e 25,8%, respectivamente. Em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, o frango já ultrapassou a carne bovina nas campanhas promocionais, registrando 25,5% contra 21,9% em terras mineiras, e 28,4% frente a 23,7% no território fluminense.

Segundo Felipe Manssur Santarosa, sócio na Vertical, a estratégia vai além da simples substituição por itens mais baratos. "Observamos que, em uma mesma peça promocional, o supermercado apresenta a carne bovina e, imediatamente, opções de frango e de cortes suínos. Isso dá ao consumidor a possibilidade de fazer a escolha de acordo com o seu orçamento", afirma Santarosa.

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O impacto no orçamento das famílias varia consideravelmente entre as capitais analisadas, onde a carne bovina compromete desde 1,3% da renda em Brasília até 5,4% em Belém, passando por 2,3% em Belo Horizonte, 2,2% no Rio de Janeiro e 2,1% em São Paulo.

Novo calendário promocional e concorrência com outros setores

Outro reflexo dessa transformação no varejo alimentar é a alteração no calendário de ofertas. Tradicionalmente concentradas nas quintas-feiras, as promoções de proteínas ganharam espaço em outros dias da semana, com altas de 33% às terças-feiras, 35% às quartas-feiras e 38% aos domingos, buscando tornar o item uma compra mais recorrente.

Apesar do aumento dos gastos com alimentação dentro de casa — impulsionado pela necessidade de economia —, o supermercado disputa a renda familiar com serviços como plataformas de streaming, academias e aplicativos de transporte.

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"O supermercado não deveria olhar apenas para o concorrente direto. Hoje, o orçamento das famílias está disputando espaço com a Netflix, com a academia, com o Uber e com várias outras formas de consumo muito presentes na vida das pessoas", aponta Santarosa.

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