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'Ele me humilhou por causa do meu corpo, mas dei a volta por cima'

Após ser traída em um relacionamento tóxico, Renata recuperou a autoestima, encontrou um novo amor e realizou o sonho de ser mãe; leia no 'Quem Ama Não Esquece'

Da redação
DA REDAÇÃO

08/10/2025 • 18:05 • Atualizado em 08/10/2025 • 18:05

Renata sempre sonhou em construir uma família, mas não imaginava que seu relacionamento com Pedro se transformaria em um pesadelo de seis anos. Entre traições, mentiras e uma humilhação que quase destruiu sua autoestima, ela precisou chegar ao fundo do poço para encontrar forças, recomeçar e, finalmente, encontrar o amor verdadeiro. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM, desta quarta-feira (8).

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Um relacionamento tóxico pode acabar com você, destruir sua autoestima e até tirar sua vontade de viver. Ele faz você acreditar em mentiras e enxergar a si mesma de forma distorcida. Mas, quando você consegue sair dele, a vida recomeça e a felicidade volta a aparecer.

Renata dá a volta por cima após relacionamento tóxico (Foto: Band FM)

Renata dá a volta por cima após relacionamento tóxico (Foto: Band FM)

O meu maior sonho sempre foi ter uma família: marido, filhos, uma vida construída juntos. Mas eu nunca fui muito de namorar porque existia um bloqueio dentro de mim quando se tratava de amor. Eu passei a infância vendo as traições do meu pai e minha mãe aguentando tudo calada e suportando tudo sozinha. Isso me marcou demais e, por isso, sempre que eu conhecia alguém, eu já deixava claro o que eu queria em um relacionamento, e muitos não aceitavam esse meu jeito.

Até que apareceu o Pedro, que parecia ser diferente de todos os outros. Mas logo no começo do nosso namoro, o pai dele faleceu, e isso transformou completamente o meu namorado. Antes disso, ele era um homem maravilhoso, mas depois da perda alguma coisa nele mudou...

A primeira desconfiança

Quando o meu sogro faleceu, nós viajamos para a cidade em que ele vivia com a mãe do Pedro e, no enterro, eu fui apresentada a uma mulher que eu sabia quem era: era uma ex-namorada dele. Eu não a conhecia pessoalmente, mas eu sabia que ele tinha namorado com uma mulher da cidade dos pais um tempo antes de a gente ficar junto.

Depois daquele dia, depois do enterro do pai dele, o Pedro passou a ir todo fim de semana para lá. Ele me dizia que era para cuidar da mãe dele, já que ela não podia ficar sozinha. No começo, eu não estranhei porque, afinal, eles tinham acabado de perder o meu sogro. Mas com o tempo eu passei a me perguntar por que, de todos os irmãos, só ele tinha que ir até lá cuidar da mãe.

Quando eu reclamei, ele começou a ir menos, só que a partir daí, as coisas esfriaram. Mesmo comigo, eu não sentia o Pedro presente. Ele não queria sair, não me dava atenção, não queria fazer nada! Ele foi ficando cada vez mais estranho! Teve até um dia em que passou por mim de carro e fingiu que nem me viu. Eu não sabia o que estava acontecendo... Até que um dia, a ex dele, aquela do dia do enterro, me procurou e disse que o Pedro estava atrás dela.

— Como é que é?

— Isso mesmo, Pedro. Ela me disse que você procura por ela, que quer ficar com ela...

— Ah, pronto! Era só o que me faltava.

— Fala a verdade. Você ainda vai atrás dela?

— Ah, pelo amor de Deus, Renata. Ela é louca e fica criando mentiras. Você prefere acreditar em uma pessoa que você nem conhece do que em mim?

Para ter certeza, eu cheguei a perguntar para as irmãs dele, e todas confirmaram a versão dele. Então eu decidi acreditar no meu namorado, mas as mensagens e ligações daquela mulher continuaram. Ele insistia que era trote, que estavam querendo separar a gente e eu... eu continuava acreditando nele.

Os meses foram passando e nada mudava. Eu ia até a casa dele e ele nunca queria fazer nada. Não topava ir ao shopping, a um show, nem dar uma simples volta. A desculpa era sempre a mesma: que ele precisava economizar. Isso me desanimava, me deixava triste, mas por outro lado, quando ele decidiu se mudar, ele me levou junto para escolher todos os móveis da casa nova. Desde os talheres até o guarda-roupa... tudo era eu quem escolhia.

— Escolhe, escolhe. Escolhe o que você quiser, meu amor. Um dia essa casa será nossa e é aqui que a gente vai formar a nossa família.

Aquilo me deixou nas nuvens porque, como eu disse, esse sempre foi o meu maior sonho. E eu não via a hora de tudo isso se realizar.

‘Ela era mais do que amiga’

Um dia, o Pedro sofreu um acidente de moto e quebrou a perna. Na época, eu trabalhava até às 14h e, depois, ainda costurava para ter uma segunda renda, mas eu parei tudo para cuidar dele durante a recuperação. De manhã ele ficava na casa da tia e à tarde eu assumia as responsabilidades. Eu fazia tudo! Levava para fazer exames, nas consultas, e também cuidava da casa, organizava e lavava as roupas dele. A gente também contava com a ajuda de uma vizinha, amiga da família. O que eu não sabia é que ela era mais que amiga do Pedro...

Um tempo depois, nós estávamos na casa dele quando alguém bateu na porta. Era a vizinha, a tal amiga da família, dizendo que estava passando por ali e resolveu dar um oi. Nesse dia, especificamente, eu estava meio desconfiada. É que quando eu cheguei na casa dele eu vi que ele tinha comprado um tapete sem me consultar, coisa que nunca acontecia.

Então, aquela visita surpresa também me deixou meio inquieta. Eu convidei a moça para entrar e tomar café com a gente e, enquanto o Pedro preparava as coisas, ela começou a me encher de perguntas, como por exemplo há quanto tempo eu estava com o Pedro, se era há muito tempo, essas coisas. E quando eu respondi, ela simplesmente soltou que também estava ficando com ele.

Eu fiquei alguns segundos sem ter nenhuma reação, mas logo o Pedro chegou dando risada e dizendo para a vizinha parar de falar bobagem porque senão eu ia acabar acreditando. Mas ela repetiu e ainda disse que era mesmo para eu acreditar porque era a mais pura verdade. Eu não sabia o que fazer, o que falar, e nem o que pensar. Eu fiquei ali, paralisada.

Aí, ela deu o maior golpe de todos. Aquela mulher, aquela vizinha, amiga da família que tinha ajudado a cuidar do Pedro quando ele se acidentou, falou: ‘Está vendo esse tapete aí? Olha, é novo. E eu tenho a nota comigo porque ele me levou para escolher’. Aquilo me desmontou. Sem saber, ela me deu a maior prova que eu precisava.

— Renata, volta aqui. Para com isso.

— Não! Devolve as minhas coisas, devolve tudo! Eu vou embora.

— Não. Você não pode ir por causa dessas mentiras! E você aí, sua mentirosa, vai embora. Sai da minha casa. Olha o que você fez. Sai daqui.

— Eu não acredito em você, Pedro. Como você pode...?

— Para de besteira. Ela está te provocando. Se acalma. Eu não vou deixar você ir embora assim.

Ele expulsou ela de casa e a menina começou a passar mal. Eu fui ajudar e ela começou a me pedir desculpa por tudo aquilo e aí ela me disse uma coisa que eu nunca mais ia esquecer: ela jurou que não era mentira e ainda disse que ele tinha dito que nunca ficaria de verdade comigo porque... porque eu era gorda.

Naquele momento, fez um estalo na minha cabeça e tudo passou a fazer sentido. Ele não saía comigo em público todo esse tempo porque eu estava gorda. Desde que a gente tinha começado a namorar, eu tinha engordado mais de 20 kg. Era isso: ele tinha vergonha de mim. Eu fiquei arrasada!

Eu fui embora e, quando cheguei na minha casa, eu me tranquei no quarto por três dias e só sabia chorar. Eu não tomava banho, não comia, não tinha ânimo nem para trabalhar. Seis anos juntos! Seis anos com ele para descobrir tudo assim! Aliás, ninguém acreditou quando eu disse tudo o que tinha acontecido. O Pedro sempre pareceu um homem tão bom que, quando contei para minha mãe, até ela duvidou. Ele continuava vindo na minha casa como se nada tivesse acontecido e, por um tempo, ele continuou me procurando, mesmo eu sabendo que ele já estava até se envolvendo com outras pessoas.

‘Por que a gente não abre o nosso relacionamento?’

Até que um dia, ele pediu para conversar comigo, me prometeu mundos e eu... eu voltei. Eu nem consigo explicar o motivo. A gente sempre ouve essas histórias e pensa que, se fosse com a gente, a gente nunca aceitaria uma traição, mas quando acontece com você de verdade, tudo muda. O amor cega, a dependência emocional cega e, diante de tanto sofrimento que eu estava passando, nada mais importava... Eu já tinha esquecido tudo e só queria ele ao meu lado outra vez. Àquela altura, eu só queria acreditar que ele ia mudar e que tudo ia ficar bem.

Nesse período em que voltei com ele, ele chegou até a me pedir em casamento, e eu aceitei. Mas logo o controle começou a aparecer de uma forma assustadora. O Pedro queria medir o que eu comia e controlar cada refeição que eu fazia porque eu não parava de engordar. O que eu não via é que eu estava engordando justamente por tudo o que ele me fazia passar e do desgaste psicológico.

— Eu tive uma ideia, Renata. Eu vou ser bem sincero com você, tá?

— Claro! Pode falar.

— Eu quero me relacionar com outras pessoas. Por que a gente não abre o nosso relacionamento?

— Você só pode estar brincando. Depois de tudo...? Eu nunca aceitaria isso.

— Credo. Você é muito careta!

Foi nesse momento que eu decidi acabar com tudo de uma vez. Eu já estava cansada de tudo aquilo, enquanto ele continuava fingindo que nada estava acontecendo. Eu estava destruída emocionalmente, me sentindo humilhada, enganada... não dava mais! Eu cheguei aos 107 kg e decidi fazer uma bariátrica, mas sem contar para ele. Só quando eu marquei tudo, eu falei para ele que eu ia ficar magra, mas que ele nunca mais ia colocar as mãos em mim. Ele duvidou, mas eu já estava fortalecida. Aquele homem nunca mais ia encostar em mim. E não tocou.

A chegada da minha filha

Eu fiz a minha bariátrica morrendo de medo. Eu achei que alguma coisa poderia dar errado, que eu não ia voltar da cirurgia, mas tudo deu certo. Depois, eu fui emagrecendo, emagrecendo e me sentindo cada vez mais bonita e desejada. Eu passei muito tempo traumatizada e fechada para o mundo, mas junto com a autoestima, veio também a vontade de ser feliz outra vez. Meu coração foi se abrindo aos poucos… até que conheci um homem de verdade: o Lucas.

Um cara fofo, gordinho, extremamente carinhoso, que me mostrou o que é ser amada de verdade. A gente se casou e ele deixou tudo para viver ao meu lado! Antes da bariátrica, eu tinha descoberto que não poderia ter filhos por causa dos ovários policísticos. Mas, para surpresa de todo mundo, eu engravidei do Lucas. Infelizmente, com três meses de gestação, eu perdi o bebê. Dois meses depois engravidei de novo… e perdi mais uma vez. Eu tinha o apoio do meu marido, mas essa dor me destruía por dentro. Eu me culpava, culpava Deus, culpava tudo e todos.

Eu sou da umbanda e um dia, enquanto eu exercia a minha fé, eu recebi uma mensagem... uma mensagem que eu ia engravidar, que seria uma menina e que ela nasceria no dia 27 de setembro. Eu não acreditei porque eu não queria mais me iludir. Eu tinha muito medo de colocar aquilo na minha cabeça e depois me frustrar, mas... aconteceu! Eu realmente engravidei de novo.

Eu esperei 3 meses antes de contar para qualquer um, mas depois disso, quando eu fiz um ultrassom e descobri que era uma menina e que a previsão de nascimento era 2 de outubro, eu comecei a acreditar. Eu até achei que tinham errado na previsão do dia, mas não... nunca erram. No dia 27 de setembro, como tinham me avisado, às 18h, nasceu minha menina Alice — um presente de Cosme e Damião para mim. Mais tarde, eu ainda engravidei de novo e tive a Natalie. Pronto, a família estava completa e eu, realizada ao lado da família que eu sempre sonhei.

Hoje, olhando para trás, eu vejo o quanto aquela relação me marcou, mas também o quanto eu cresci depois dela. Eu aprendi que ninguém pode definir o meu valor, que o amor-próprio é a base para qualquer felicidade e que é possível recomeçar, mesmo depois de tanta dor. A vida me deu uma segunda chance. Eu saí de um relacionamento tóxico, me reconstruí, me cuidei, aprendi a me colocar em primeiro lugar e encontrei um amor verdadeiro, um companheiro que me respeita e me valoriza. Eu consegui realizar meu sonho de ter uma família e aprendi que a felicidade não depende de outra pessoa... ela nasce dentro da gente, da nossa força e da nossa coragem de seguir em frente.

E para quem já passou ou ainda passa por algo parecido, fica a lição: valorize-se, ame-se, se coloque em primeiro lugar e abra o coração para a vida. Sempre existe uma nova chance de ser feliz.

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