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'Engravidei de trigêmeos no primeiro encontro e ele sugeriu o aborto'

Após engravidar de trigêmeos de Elias em uma noite, Marisa foi abandonada, mas reencontrou o amor e o apoio em Rui, seu ex-namorado

Da redação
DA REDAÇÃO

15/10/2025 • 19:01 • Atualizado em 15/10/2025 • 19:01

Após terminar o namoro com Rui, Marisa conheceu Elias pela internet e, no primeiro e único encontro, uma noite que ela descreve como ‘esquisita’, acabou engravidando. A surpresa, no entanto, foi ainda maior ao descobrir que não esperava um, mas três bebês. A reação de Elias foi de total frieza, sugerindo que ela interrompesse a gestação e desaparecendo em seguida. Desamparada, Marisa encontrou apoio e um novo começo ao lado de Rui, seu ex-namorado. Leia o relato completo no Quem Ama Não Esquece, da Band FM, desta quarta-feira (15).

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Eu não tenho do que me envergonhar... Tudo o que acontece na nossa vida vem com a permissão de Deus, e eu acredito nisso com todo o meu coração. Eu sei que errei, mas não me culpo por nada. Pelo contrário: tenho orgulho da mulher que me tornei e da família linda que eu construí, mesmo depois de tudo o que vivi.

Marisa engravidou de trigêmeos no primeiro encontro (Foto: Band FM)

Marisa engravidou de trigêmeos no primeiro encontro (Foto: Band FM)

Eu tinha acabado de terminar um relacionamento com o Rui. Nós decidimos nos separar porque ele ia se mudar para outra cidade a trabalho, e nós achamos melhor cada um seguir o seu caminho.

Como eu estava solteira, uma amiga resolveu me apresentar um cara que ela tinha conhecido na internet. O nome dele era Elias e, quando eu vi a foto, eu confesso que o achei muito bonito. No começo, a gente falava só o básico, coisa de quem está se conhecendo. Trabalho, rotina, o que a gente gostava de fazer, essas coisas... Ele me contou que tinha 59 anos, mas eu não liguei, porque eu sempre gostei de homens mais velhos. Disse também que já tinha vivido dois relacionamentos, mas que em nenhum deles tinha conseguido ter filhos e que morava com a mãe, de 90 anos.

Na época, eu queria um relacionamento sério, e ele parecia sentir o mesmo, principalmente quando a gente conversava sobre ter uma família e filhos.

Até então, a gente só se falava por mensagens, mas, depois de vários dias de conversa, a gente marcou um primeiro encontro. O Elias morava em outra cidade, bem distante, mas veio até a minha para me conhecer. A gente foi a um restaurante, conversamos muito e, dali, decidimos ir para um motel. Mas, sinceramente, foi uma noite muito estranha. Antes mesmo de acontecer qualquer coisa, ele começou a me fazer várias perguntas...

— Você toma remédio?

— Como assim? Que remédio?

— Anticoncepcional. Você toma?

— Ah, não. Eu não posso. Eu tomo um remédio de uso contínuo e não posso misturar com anticoncepcional. A gente tem que se prevenir de outro jeito.

— Ah! Nossa, eu queria muito ter filhos um dia... Eu não consegui nem no primeiro e nem no meu segundo casamento.

Mal eu sabia que, naquela frase, ele já estava mostrando o que realmente queria comigo...

Uma noite estranha e uma consequência inesperada

Nós dormimos juntos e, depois que tudo já tinha acontecido, ele disse que tinha tirado a proteção porque estava incomodando. Na hora, eu não me liguei, não dei muita atenção... tudo aquilo era estranho demais. Durante todo o tempo, eu não senti nada. Enfim, foi… esquisito. Com certeza a pior noite que já passei com alguém em toda a minha vida.

No dia seguinte, eu ia trabalhar, e a gente nem conseguiu se falar direito. Nós tomamos café da manhã e eu fui embora. Quando eu cheguei no trabalho, eu contei para uma amiga que tinha saído com um cara, que tinha sido horrível e que ele tinha tirado a proteção na hora sem eu perceber.

Na hora, ela ficou preocupada em relação a ele me passar alguma doença. Eu, sinceramente, nem tinha pensado nisso, mas, quando ela falou, acendeu um pisca-alerta na minha cabeça, e eu corri para agendar uma consulta médica. Eu fiquei muito assustada com aquilo tudo!

O médico me passou alguns remédios e, depois de vários exames, eu soube que, graças a Deus, eu não tinha pegado nenhuma doença. Foi o maior alívio da minha vida, mas, por outro lado, a cada minuto que passava, crescia dentro de mim uma sensação diferente, uma sensação que não me deixava em paz. A sensação de que eu estava grávida. Aquilo não saía da minha cabeça.

Durante todo aquele tempo, eu me dei conta de que o Elias não tinha me procurado mais. E, naquele momento, eu percebi que não tinha sido estranho só para mim... A gente nunca mais se falou.

Algumas semanas depois, quando chegou o dia da minha menstruação... nada! Não veio! Aquilo só confirmou o que eu já sentia, mas eu não queria fazer o exame, com medo do resultado. Eu fiz as contas, vi que tinha saído com o Elias bem quando eu estava no meu período fértil, e isso só me deixou ainda mais angustiada. Dentro de mim, eu já sabia... Eu estava grávida.

Eu me enchi de coragem e comprei um teste de farmácia, que, sem nenhuma surpresa, deu positivo. Na mesma hora, eu liguei para o Elias para contar e, com a maior calma e naturalidade do mundo, ele só me perguntou se o teste que eu tinha feito era confiável. Assim, como se eu estivesse dando uma notícia qualquer. Eu disse que no dia seguinte faria o exame de sangue para confirmar, mas, no fundo, eu já tinha certeza de que realmente estava grávida.

No dia seguinte, eu fiz o exame de sangue e veio a confirmação: GRÁVIDA.

Eu fiquei DESESPERADA! Como podia ter visto o Elias só uma vez, ter dormido com ele, e já estar grávida? Uma única vez! Um homem que eu mal conhecia! Como, meu Deus, como?

— Alô? Oi, Marisa. E aí... alguma novidade?

— Elias, meu Deus...

— Que voz é essa? O que foi?

— Eu... Eu estou grávida!

— Ah, mas vamos esperar… Está só no começo, né? Você ainda não está grávida, grávida. O neném que está aí na sua barriga não é nem do tamanho de um grão de ervilha.

Eu não acreditava naquilo... O Elias estava incrivelmente calmo, com uma voz tranquila, como se nada daquilo fosse importante. Era tudo tão esquisito!

Desde a descoberta da gravidez, comecei a fazer acompanhamento médico, e o ginecologista me pediu alguns exames, só que me pediu para esperar uns dias, porque eu tinha descoberto muito no comecinho. Mas, como eu estava muito ansiosa, no mesmo dia, eu marquei o exame para o dia seguinte, sem imaginar que aquele exame mudaria ainda mais a minha vida!

‘Eu não estava grávida… Eu estava MUITO grávida’

No dia seguinte, lá fui eu fazer o exame e, enquanto estava deitada na maca, a médica deu uma risadinha de canto de boca. Eu achei super estranho, mas fiquei quietinha, sem comentar nada.

Depois de alguns minutos, ela começou a me encher de perguntas: “Você é casada?”, “Você pretendia ter filhos?”, “Você já tem filhos?”, “Você fez algum tratamento para engravidar?”, “Você tomava algum remédio?”. E todas as minhas respostas foram “não”, “não” e “não”.

Estava um clima estranho ali, eu podia sentir. Pela cara dela, eu também via que tinha alguma coisa!

Sem aguentar mais aquela coisa, eu perguntei se estava tudo bem com o bebê e foi aí que ela me disse que eu não estava grávida... eu estava MUITO GRÁVIDA. Grávida de 3! Três bebês. TRIGÊMEOS.

Eu não estava conseguindo acreditar no que eu estava ouvindo. Eu ia ter 3 filhos de uma vez? Era isso? Não podia ser verdade! Não podia! Simplesmente, não...

A médica estava super feliz, animada, perguntou se eu queria ouvir o coração de cada um deles e eu, que nem sabia que isso era possível, ouvi. Ouvi o coraçãozinho dos meus 3 nenéns. Apesar de estar apavorada, eu não consegui conter a emoção. Quando o exame terminou, a médica me deu parabéns e saiu da sala. Eu levantei, me troquei, e a assistente da médica também me parabenizou. Quando eu saí da sala, parecia que todo mundo do hospital estava ali para me dar parabéns também. Eu estava meio aérea, eu não conseguia entender nada. Tudo era surreal demais, sabe? Só quando eu saí do hospital, assim que eu passei pela porta de vidro, foi que a ficha caiu. Eu sentei na calçada e, aos prantos, eu peguei o telefone e liguei para o Elias.

A gente conversou por uma hora, mas ele, sempre muito calmo, repetia que era melhor esperar porque, segundo ele, eu corria o risco de nenhum bebê nem se desenvolver. Ele falava que eles eram pequenos demais para saber se tudo daria certo. Era tão estranho... Tão, tão estranho!

‘Por que você não tira esses bebês?’

Eu passei a ter um acompanhamento mais próximo dos médicos, afinal, era uma gravidez de alto risco. Toda semana eu ia às consultas para checar como estavam os meus bebês, sempre acompanhada da minha mãe. Um dia, a médica me perguntou sobre o pai das crianças e, quando eu expliquei toda a situação, ela me disse que eu precisava me manter saudável mentalmente, porque, se eu estivesse bem, meus filhos também estariam. Eu nunca esqueci isso.

E assim, os meses foram passando… A cada consulta, a cada batida do coração deles, a cada corpinho se formando, eu me maravilhava. Tudo era lindo, puro, perfeito. Parecia mesmo uma obra feita por Deus! Eu sempre enviava as atualizações para o Elias, contando como estavam os nossos filhos, mas, muitas vezes, ele nem respondia. No começo, eu relevei, mas chegou uma hora que a ausência dele começou a se tornar constante. Ele simplesmente não ligava para nada.

— Olha, Marisa, eu não estou feliz com isso. Eu não quero que você me ligue mais porque eu nem sei se esses filhos são meus mesmo e...

— Que história é essa? É óbvio que são seus!

— ... E não adianta ficar mandando essas coisas de bebê para mim. Isso não está me fazendo bem. Isso tudo... está errado. Quer saber? Por que você não tira esses bebês? Vamos resolver isso.

— Você só pode estar brincando... Eu nunca faria uma coisa dessas. NUNCA!

— Bom. Eu não quero saber. Não me ligue mais.

E então ele me bloqueou. Eu tremia de raiva, mas respirei fundo e não deixei que isso me abalasse. Eu lembrei do que a médica tinha me dito e decidi me concentrar só em me cuidar. Meus filhos não mereciam carregar nenhuma consequência por causa de uma escolha minha. Foi justamente essa certeza que me deu forças e, em vez de me abater, eu lutei, mês após mês, para estar bem, forte e saudável, focada só em proteger e dar o melhor para os meus filhos.

O retorno do ex-namorado

No meu quinto mês de gestação, eu contei ao Rui, aquele meu ex-namorado, que eu estava grávida de trigêmeos. Ele ficou mais desesperado que eu e, no dia seguinte, voltou para a cidade onde eu morava, só para me ver. O Rui passou a me ajudar e a me acompanhar de perto e, conforme a gente foi se aproximando, nós acabamos ficando. Tudo aconteceu de forma natural, sem forçar nada. Ele estava ali porque se importava, porque queria estar presente e, de repente, nós estávamos juntos outra vez.

A minha gestação foi muito tranquila, até que, quando eu cheguei a 32 semanas, durante uma consulta, a médica disse que eu precisava ser internada com urgência para os meus filhos nascerem.

Mas eu, que lia muito sobre o assunto, sabia que ainda era cedo e que os bebês ainda estavam se formando. Eu pedi para esperar um pouco, pelo menos alguns dias, mas ela foi firme e disse que, se não fosse naquela hora, um dos bebês nem chegaria a nascer por falta de oxigênio. Eu comecei a chorar, desesperada, mas eu não tinha o que fazer. Se eu queria meus 3 filhos vivos, era a hora!

Eu fui levada para a UTI e, por sorte, a minha obstetra, que cuidava de mim desde o início, estava lá. Tudo aconteceu muito rápido... Foi uma cesariana, e eu consegui ver os meus três filhos, meus três milagres. Mas o Lucas, assim que nasceu, foi levado direto para a incubadora. Ele estava com falta de oxigênio na minha barriga e era o que mais preocupava os médicos.

Depois da cirurgia, eu fui para o quarto me recuperar e só pude ver meus meninos no dia seguinte. Graças a Deus, com três dias, o Lucas saiu da intubação e, no quinto, já respirava sozinho.

Assim que meus filhos nasceram, a primeira coisa que eu fiz foi tentar ligar para o Elias. Eu queria que ele soubesse, que ouvisse a notícia da minha boca. Mas ele ignorava todas as minhas ligações.

Então, eu resolvi mandar mensagem pelo celular de uma amiga, e sabe o que ele respondeu? Disse que não sabia se os filhos eram dele e, logo em seguida, bloqueou o número dela também.

A humilhação do teste de DNA

O Davi, o Pedro e o Lucas ficaram 40 dias no hospital. E quem buscou a gente foi o Rui. Ele me deu todo o suporte, mesmo não sendo o pai das crianças. Foi ele quem segurou na minha mão e não soltou em nenhum momento.

Depois que voltamos para casa, uma amiga minha, que é advogada, entrou com o processo de reconhecimento de paternidade para me ajudar. Eu registrei os meninos e, desde o momento em que eles nasceram, eu confesso que a última coisa com que me preocupei foi a falta de responsabilidade do Elias. Eu só queria cuidar dos meus filhos e seguir em frente. A minha única preocupação era dar o meu melhor e me dedicar completamente a eles. O Rui e meus pais foram meu alicerce. Cuidar de três recém-nascidos, sendo mãe de primeira viagem, não é fácil, mas com o apoio deles, tudo se tornava possível, mesmo nos dias mais exaustivos.

Depois de um ano, o processo finalmente andou. O Elias foi notificado e recebeu uma data para fazer o exame de DNA. Mas, na primeira vez, ele simplesmente não apareceu. Na segunda, não teve como adiar. Tivemos que madrugar, acordamos às três da manhã, colocamos três bebês, três adultos e três cadeirinhas em um carro de sete lugares, e seguimos viagem para o exame de DNA na cidade dele.

Foi uma das piores humilhações da minha vida. Estar na mesma sala que ele, com tudo o que eu tinha passado, e ainda ver que ele era incapaz de me olhar nos olhos... nossa! Foi horrível.

Depois disso, a gente nunca mais se falou. Quando o resultado do exame saiu e confirmou o que eu sempre soube, a pensão passou a ser descontada direto do salário dele. Mas, até esse momento chegar, foram dois anos inteiros sem receber nada. Dois anos arcando sozinha com tudo: fraldas, remédios, consultas, leite, roupas… Tudo.

Apesar de tudo o que aconteceu, eu tenho uma certeza enorme: nada na nossa vida acontece sem a permissão de Deus. E, mesmo tendo tomado uma decisão impensada ao me envolver com alguém que eu mal conhecia, eu sei que meus filhos vieram porque era a vontade de Deus.

Eu não tenho do que me envergonhar e muito menos me arrepender.

Eles estão grandes, fortes, espertos e prestes a completar 6 anos. E, por eles, eu sempre vou fazer de tudo. Se um dia o pai biológico quiser se aproximar e assumir o papel dele, eu não vou me opor, mas também não vou forçar ninguém a nada, porque sei que meus filhos merecem todo o amor e cuidado do mundo, e eles não têm culpa de nada.

Os meninos têm 5 anos e sabem que têm um pai que nunca conheceram, mas a referência de amor, carinho e presença que eles têm vem do Rui, o meu namorado, que eles chamam de “tio”, e também do meu pai.

Hoje, quando olho para eles, eu vejo o quanto Deus foi generoso comigo. Eles são a prova de que até das maiores dores podem nascer os milagres mais lindos. Eu não precisei de um homem ao meu lado para ser forte, eu precisei ser mãe. E foi isso que me transformou, me curou e me fez entender que, no fim, tudo o que realmente importa é o amor que a gente dá e recebe dentro de casa.

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