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UFG e Cristália criam "esponja" que neutraliza drogas no sangue em 2 min

Estudo da Universidade Federal de Goiás utiliza moléculas que funcionam como "esponja" no sangue; testes em animais mostraram resultados em dois minutos

Da redação
DA REDAÇÃO

31/07/2026 • 17:30 • Atualizado em 31/07/2026 • 17:30

Professora Eliana Martins Lima, diretora do Farmatec/UFG

Professora Eliana Martins Lima, diretora do Farmatec/UFG

Foto: PRPI/UFG

Cientistas da Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveram um estudo que representa um avanço importante no combate às overdoses. A pesquisa envolve uma formulação farmacêutica obtida por meio do uso de lipídios, que são pequenas moléculas de gordura. Essas moléculas são as mesmas que formam as membranas das células humanas e, por esse motivo, a substância é bem recebida pelo organismo.

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Diferente dos produtos tradicionais que levam substâncias para dentro do corpo, essa nova tecnologia busca extrair do organismo moléculas que estejam em altas concentrações, provocando intoxicação aguda. Na prática, os lipídios funcionam como uma espécie de "esponja", que absorve a droga circulante no sangue e impede que ela continue fazendo efeito. A inovação pode neutralizar substâncias tóxicas antes que elas provoquem danos irreversíveis.

Nos testes realizados em laboratório com animais, a técnica demonstrou alta eficácia ao controlar sintomas graves de overdose, como pressão alta e aceleração dos batimentos cardíacos, em cerca de dois minutos. Atualmente, em muitos casos de intoxicação, os médicos precisam tratar apenas os sintomas enquanto o organismo elimina a droga naturalmente. A expectativa dos pesquisadores é que essa tecnologia atue diretamente na causa do problema, aumentando significativamente as chances de sobrevivência.

Após a finalização da fase pré-clínica em animais, o projeto entra agora em uma nova etapa com o objetivo de aplicar a tecnologia em pessoas saudáveis. Para transformar a descoberta científica em um medicamento disponível no mercado, foi firmada uma parceria com o laboratório Cristália. A união visa somar o conhecimento acadêmico da universidade à expertise da indústria no desenvolvimento clínico de novos fármacos.

De acordo com Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Cristália, a documentação será submetida à Anvisa para que a agência avalie a segurança e a eficácia do produto. O cronograma de desenvolvimento prevê testes específicos para diferentes tipos de substâncias, incluindo cocaína e anestésicos. Se a segurança e a eficácia forem confirmadas, o Brasil poderá oferecer um tratamento de emergência inédito no mundo para situações que hoje possuem poucas opções terapêuticas.

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